Sem-terra morto no Pará foi baleado à queima-roupa

Na sexta-feira, Secretaria de Segurança Pública determinou o imediato afastamento dos 21 policiais militares e oito policiais civis

Por O Dia

Pará - De acordo com a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Pará, pelo menos um dos dez sem-terra mortos no massacre de Pau d’Arco, foi assassinado à queima-roupa. O trabalhador rural levou dois tiros na altura do coração na ação policial na quarta-feira passada.

Vigilantes contratados pela empresa de segurança que prestava serviços aos donos da Fazenda Santa Lúcia, em Pau D´Arco (PA), acompanharam os policiais destacados para cumprir 16 mandados judiciais contra o grupo de sem-terra que ocupava a propriedade, na operação que resultou no massacre.

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão também questionou por que os corpos dos dez sem-terra mortos foram removidos e o local da ocorrência foi adulterado. E ainda o que levou a Secretaria Estadual de Segurança Pública a endossar a versão de que os policiais foram recebidos a tiros pelos sem-terra.

Na sexta-feira, a secretaria determinou o imediato afastamento dos 21 policiais militares e oito policiais civis que participaram da ação. No entanto, a atitude foi determinada pelo Conselho de Segurança Pública (Consep).

Os policiais disseram que foram recebidos a tiros ao chegar à fazenda e que, por isso, reagiram. Horas após a operação, a Polícia Civil e a Secretaria de Segurança Pública e Defesa apresentaram à imprensa 11 armas apreendidas na área ocupada pelos sem-terra – entre elas um fuzil e uma pistola Glock, supostamente apreendidas com o grupo.

Para o presidente do Conselho Nacional dos Direitos Humanos, Darci Frigo, essa versão cai por terra diante do fato de que nenhum policial foi sequer ferido ao ser surpreendido pelos supostos tiros.

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