Colegas dizem que atirador de Goiânia ameaçava matar estudantes

Estudante afirmou a delegado que foi motivado por bullying e disse que se inspirou nos casos da escola de Columbine e Realengo

Por O Dia

Goiânia - Duas adolescentes que estudavam na mesma sala do adolescente que atirou contra colegas nesta sexta-feira, em Goiânia, afirmam que o garoto tinha comportamentos estranhos. Ambas dizem que o jovem já chegou a levar um livro sobre satanismo à escola.

"Numa prova de ética dele, ele desenhou o símbolo nazista, e em uma roda literária, ele levou um livro satânico", relatou uma das meninas. Segundo ela, o episódio aconteceu no ano passado e o garoto não disse onde conseguiu o livro.

Atirador abre fogo em escola particular de Goiás Reprodução / Internet

De acordo com a outra garota, o estudante era uma pessoa "muito estranha e muito fria". "Se você fizesse uma brincadeira ele falava que ia te levar para o inferno, que ia matar sua família e te matar", disse a menina.

Uma delas afirma que houve um período em que o adolescente que realizou os disparos ocupou lugar em frente ao dela, na sala. "Foi a época em que ele falou para mim que ia matar meu pai e minha mãe...", lembra, confirmando que o jovem fazia ameaças semelhantes a outros alunos.

Disparos

Ambas contam, contudo, que o menino jamais havia ameaçado levar uma arma ao colégio e que, a princípio, não identificaram o barulho dos disparos como sendo tiros. "Como teria mostra científica amanhã, pensamos que tinha sido um dos projetos que tinha estourado, ou alguma bombinha. Na hora em que nós vimos a arma, saímos correndo", relata uma das garotas. Segundo as meninas, o jovem teria começado a disparar aleatoriamente.

Amiga de uma das vítimas fatais, uma das jovens o descreve como alguém que brincava com todos, mas desconhece qualquer apelido específico em relação ao atirador. Quanto à outra vítima, a garota o define como "uma pessoa normal, bom aluno". Outros quatro estudantes ficaram feridos no ataque.

O estudante já foi ouvido pela polícia. Segundo o delegado, ele afirmou que foi motivado por bullying e disse que se inspirou nos casos da escola de Columbine (ocorrido em 1999, nos Estados Unidos), e de Realengo (em 2011, no Rio de Janeiro). No depoimento, o estudante narrou que tinha intenção de matar apenas o colega autor do bullying contra ele, mas no momento do ataque, sentiu vontade de fazer mais vítimas.

Os nomes dos jovens envolvidos não foram divulgados para que as famílias sejam preservadas. A arma usada no ataque foi uma pistola que pertencia à mãe do adolescente, que é policial militar. Ele disse que achou a pistola escondida em um móvel da casa. Nem a mãe nem o pai, que também é policial militar, ensinaram o adolescente a atirar.

Ao retirar a arma da mochila para começar o ataque, ele chegou a efetuar um disparo acidental, mas não se feriu. O adolescente foi apreendido em flagrante delito.

Situação das vítimas

De acordo com o diretor técnico do Hospital de Urgências de Goiânia, Ricardo Furtado Mendonça, uma menina de 13 anos está em estado grave na UTI do hospital. Ela foi atingida na mão, pescoço e no tórax. A menina passou por procedimento cirúrgico para drenagem de tórax.

A segunda vítima, também uma adolescente de 13 anos, está consciente e respirando sem aparelhos. Ela teve um pulmão perfurando e passou por cirurgia. A terceira vítima é um menino de 13 anos que está consciente, estável e continua em avaliação. A quarta vítima está no Hospital Acidentados e não teve o boletim médico divulgado.

A Polícia Civil continua com a investigação e deve ouvir os professores e coordenadores da escola.

Com informações da Agência Brasil e Estadão Conteúdo

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