Caixa pode financiar aeroporto

Ministro Moreira Franco, da Aviação Civil, disse que está em estudos a criação de linhas de crédito no banco estatal, voltadas especificamente a projetos de infraestrutura, com a oferta de recursos para terminais privados

Por O Dia

O ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Moreira Franco, disse ontem que a Caixa poderá vir a ser mais uma fonte de financiamento para projetos de infraestrutura de aeroportos, com destaque para os empreendimentos privados. Segundo ele, que esteve ontem no Rio para uma reunião do Conselho de Infraestrutura e Planejamento da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), a aplicação dos recursos da Caixa para este fim estão em estudos pela SAC e pelo banco. Uma fonte do setor informou que a ideia partiu da própria Caixa, que deverá apresentar em breve uma proposta concreta à SAC.

“Estamos estudando as possíveis áreas para aplicação dos recursos da Caixa”, disse o ministro. A Caixa informou que o assunto interessa à instituição e que linhas de crédito poderão ser lançadas em um futuro próximo.

Guilherme Ramalho, secretário-executivo da SAC, que também estava no Rio, confirmou a possibilidade de a instituição financeira ser financiadora de projetos, mas disse que o volume destinado a isso ainda não foi definido.

“A Caixa dispõe de fundos de investimento para infraestrutura e estudamos essa possibilidade. O Brasil tem a terceira maior frota de jatos no mundo. Regulamentamos a autorização de aeroportos privados, autorizamos mais de sete projetos e é importante que haja meios de financiamento”,disse.

O encontro no Rio foi para discutir a expansão do mercado de aviação no Brasil e também na região da América Latina, por meio de acordos bilaterais e multilaterais. Para Moreira Franco, a aviação tem tudo para ser o meio de integração da região.

“Desde a colonização Ibérica, a partir do litoral, os países da América do Sul estão de costas uns para os outros. Mas o crescimento econômico no interior torna inadiável a necessidade de uma integração pelo modal aéreo. Precisamos ampliar a política de céus abertos. Hoje, as rotas são determinadas por interesses das empresas, mas é preciso incentivar os voos internacionais em cidades menores”, afirmou o ministro.

A América do Sul é uma das regiões do mundo com o maior crescimento no transporte aéreo esperado para os próximos 20 anos. Mas o continente é pouco conectado, com oferta de assentos concentrada em apenas quatro empresas e poucos voos regulares fora das capitais. Um estudo do Banco Interamericano de Investimento (BID), apresentado durante uma reunião do Conselho de Infraestrutura e Planejamento da Unasul, enfatiza a necessidade de se aumentar o grau de liberdade para as rotas nesses países. A ideia é avaliar o cenário de integração aérea no continente e desenvolver estratégias de conectividade que dependem, segundo o BID, de um maior protagonismo dos governos destes países.

Pelo estudo do BID, a América Latina deverá responder, no período de 2013 a 2032, por um aumento na demanda por transporte aéreo, com crescimento esperado de 6,9% ao ano. O percentual foi calculado com base em projeções da fabricante americana Boeing para a região e da Airbus, que estima crescimento anual da demanda em 6%.

Mas, segundo o BID, nem o tamanho do mercado e nem as mudanças regulatórias implantadas desde 2006, com a abertura de mercado em vários países, conseguiram impulsionar a conectividade na região. Os custos aeroportuários altos, o peso das taxas de embarque internacional e do combustível de aviação (QAV), além da falta de incentivos para a criação de rotas na região são alguns dos entraves, o que leva as maiores empresas brasileiras — TAM, Gol, Avianca e Azul — a concentrar 80% da oferta nas mesmas rotas. O programa brasileiro de desenvolvimento da aviação regional, coordenado pela SAC, é visto como uma das alternativas para a integração sul-americana.

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