Balança vai fechar o ano com déficit, o primeiro desde 2000

Resultado negativo de US$ 2,4 bil em novembro faz o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior revisar projeções para o ano de 2014, antes positiva, para fechamento no vermelho

Por O Dia

Brasília - Confirmado ontem para o cargo, o futuro ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, começará o seu mandato com uma herança ruim. O déficit de US$ 2,4 bilhões registrado no mês passado fez com que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), pela primeira vez no ano, revisse a sua projeção, antes positiva, para a balança comercial em 2014. “Diante dos números de novembro, o ministério está revendo as expectativas de superávit para déficit em 2014”, disse o diretor do Departamento de Estatística e Apoio às Exportações do MDIC, Roberto Dantas, ao anunciar o resultado.

“Embora o número de dezembro seja, tradicionalmente, superavitário, não deverá ser suficiente para superar o déficit de US$ 4,2 bilhões acumulado de janeiro a novembro”, reconheceu Dantas, ao anunciar o primeiro resultado da balança comercial negativo desde 2000 e o pior déficit desde 1998, quando as importações superaram as exportações em US$ 6,1 bilhões nos onze primeiros meses daquele ano.

O representante do MDIC disse que não é possível ainda fazer projeções para o próximo ano, mas o horizonte não é melhor para 2015. A frustração das expectativas do governo em relação às exportações no mês passado, segundo ele, deveu-se, principalmente, ao fato de a recuperação dos preços do minério de ferro não ter ocorrido, da redução nas exportações de carne e da queda no preço do petróleo. “Para a Venezuela, vendemos menos carne bovina e de frango e, para a Arábia Saudita, frango. E não tivemos exportações de plataformas, como aconteceu em novembro de 2013”, lembrou.

Em relação ao minério de ferro, Dantas ressaltou que apesar de ter havido um aumento no volume exportado, ele não foi suficiente para compensar a queda nos preços, que já chega a 21% no ano. “É o principal item da pauta de exportações, com uma participação de 11,5%, seguido da soja, com 11,2%”, ressaltou.

A queda dos preços fez com que, apesar dos aumentos nos embarques, as exportações para a China, principal destino das commodities (produtos básicos negociados em bolsas) brasileiras, caíssem 9,3% nos onze primeiros meses do ano. Nos manufaturados, a situação não é melhor. A difícil situação argentina, importante mercado para esse tipo de produto, fez com que as vendas para o país vizinho caíssem 26,9% no período.

Presidente da Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro já previa um déficit em 2014. “A soja, o petróleo e o minério de ferro juntos, equivalem a 30% da pauta de exportações brasileiras. Quando um desses itens vai mal, inevitavelmente temos um impacto negativo no resultado da balança. Além da queda do preço do minério e de não termos contabilizado plataforma em novembro, os embarques de soja se encerraram mais cedo em 2014. Soma-se a isso o problema que tivemos com o principal mercado para os nossos manufaturados, a Argentina, e chegamos a esse resultado ruim”.

No mês passado, as vendas somaram US$ 15,6 bilhões, 25% a menos do que em novembro de 2013, e as importações, US$ 18 bilhões, queda de 5,9%. De janeiro a novembro de 2014, as exportações somaram US$ 207 bilhões, 5,7% a menos ante os onze primeiro meses de 2013. Enquanto isso, as importações atingiram US$ 211 bilhões, número 3,9% inferior ao mesmo período do ano passado. “Agora, precisamos de reformas estruturais para reduzir o custo das nossas exportações. Em relação a fatores como a queda no preço internacional das commodities, não podemos fazer nada. Mas, se os nossos manufaturados forem mais competitivos, temos como redirecioná-los para outros mercados e diminuir a dependência da Argentina”, afirmou Castro.

O sinal que vem das importações também não é positivo. Levantamento do MDIC em novembro mostra que as importações de produtos natalinos sofreram quedas expressivas no mês, refletindo que o comércio está antevendo vendas modestas em dezembro, diante da valorização do dólar e do arrefecimento da economia, que leva os consumidores colocar o pé no freio na hora de comprar. Em relação a novembro de 2013, as importações de brinquedos caíram 28%; de perfumaria, 3,2%; de bacalhau, 31%; de informática, 8%; de calçados, 12%; de refrigeradores, 17%; de queijos, 54%; e de conservas de peixes, 41%.

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