Disputa na Câmara deve deixar marcas na relação com o PMDB

A tensão entre o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), e petistas deve ter impactos para além da eleição para presidente da Casa. O embate surge quando o governo enfrenta dificuldades na base, pelas medidas econômicas impopulares e pela provável citação de aliados no escândalo de corrupção na Petrobras

Por O Dia

Caso Eduardo Cunha (foto) vença%2C poderá dizer que ganhou “apesar” da pressão contrária dos ministros da presidenta Dilma Rousseff (PT)Divulgação

Ao que tudo indica, a disputa pela Presidência da Câmara dos Deputados será acirrada e seu resultado parece cada vez mais incerto, depois de um favoritismo inicial do líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ). A maior certeza é que o embate deixará cicatrizes na relação do governo com sua base, em especial com o PMDB, segundo maior partido da Câmara (o maior é o PT, com apenas 13% dos parlamentares). Caso Cunha vença, poderá dizer que ganhou “apesar” da pressão contrária dos ministros da presidenta Dilma Rousseff (PT). Se perder, poderá afirmar que só foi derrotado por conta da articulação do Executivo para garantir a vitória de seu líder na Casa, o petista Arlindo Chinaglia (SP). Por isso, a expectativa é que a tensão entre os dois lados vá além do período eleitoral.

Não é a primeira campanha agressiva dentro do legislativo nacional, tampouco há novidade no governo preferir um candidato e fazer campanha pela sua vitória. Mas há uma avaliação de que o líder peemedebista conseguiu colocar a presidenta Dilma e seu partido no centro do confronto, para atrair possíveis descontentes e setores da oposição. E, se no calor da disputa, Cunha e seus aliados aumentaram a tensão - com ataques e acusações contra o governo e conclamando a oposição a um acordo -, os petistas também não baixaram o tom. Resta saber qual será o nível de dependência que Dilma e sua equipe terão dos votos do PMDB no Congresso neste ano. Com a expectativa de mais medidas amargas na economia e do impacto da lista de parlamentares envolvidos na corrupção da Petrobras, a base governista deve ficar especialmente fragilizada.

Petista diz que haverá reação à mídia

Um importante petista próximo ao ex-presidente Lula diz que o seu partido irá adotar uma posição dura em relação a alguns grandes meios de comunicação do País, tidos por ele como “opositores sistemáticos” do governo. Além da proposta de regulação da mídia a ser encaminhada pelo Executivo, ele defende que estatais federais deixem de anunciar nesses órgãos. Indagado sobre o que o governo fará exatamente, ele respondeu: “Tem coisas que não se fala. Se faz. Estamos nos mexendo ”. O mesmo petista disse ter cobrado Lula, em razão de ele reclamar muito da mídia “mas não ter mudado nada na área”, em seu governo.

Verba dividida

Uma prefeitura petista de São Paulo já decidiu diminuir o seu gasto em publicidade com a TV Globo. A verba total foi diluída entre a rede carioca e emissoras menores. Há propostas no PT para que outras administrações do partido façam o mesmo. A decisão causa polêmica.

Francischini aparece armado em TV

Delegado licenciado da Polícia Federal e ex-oficial da Polícia Militar, o secretário de Segurança Pública do Paraná, Fernando Francischini (SD), provocou polêmica ao aparecer ostensivamente armado em um programa especializado em noticiário policial de uma emissora local de televisão. Deputado federal reeleito, o secretário era integrante da chamada “bancada da bala” no Congresso Nacional e recebeu dinheiro durante a campanha de fabricantes de armas.

Secretária tem irmão famoso

Nova titular da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, a sanitarista Lumena Furtado é irmã de Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Criminalista dos mais requisitados em Brasília, Kakay já defendeu, entre outros, Roseana Sarney, Duda Mendonça, Demóstenes Torres e Daniel Dantas. Lumena foi secretária de Saúde de Mauá (ABC paulista) e adjunta do hoje ministro Arthur Chioro, na pasta da área em São Bernardo do Campo.

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Com Leonardo Fuhrmann

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