Gabriel Chalita é especulado para Ministério da Educação

Secretário de Educação da capital paulista garante não ter falado com a presidenta Dilma Rousseff

Por O Dia

São Paulo - Menos de três meses depois de ser nomeado secretário municipal de Educação de São Paulo, o ex-deputado federal Gabriel Chalita (PMDB) é especulado para assumir o Ministério da Educação, depois da demissão do ex-governador do Ceará Cid Gomes (Pros). Chalita afirma que não recebeu um convite ainda. “Tudo que eu sei é pelas notícias publicadas”, diz, cauteloso, lembrando que seu nome já foi citado como possível ministro outras vezes, sem que o convite da presidenta tenha se concretizado.

Ele destaca que está feliz com o trabalho que tem feito em São Paulo e que só o fato de ser lembrado como um dos possíveis ministeriáveis já o deixa “envaidecido”. “Ainda mais depois de a presidenta Dilma dizer que procura um nome técnico para assumir a pasta. Só de citarem meu nome já é um reconhecimento à minha trajetória na Educação”, comenta.

Uma possível indicação de Chalita é vista como uma derrota política do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que já perdeu a articulação política. O ministro é apontado como o responsável por ter barrado o nome do ex-deputado em outras ocasiões, quando Chalita foi especulado para assumir a Ciência e Tecnologia e a Educação, ambos em substituição ao próprio Mercadante.

Além da resistência de Mercadante, pesa contra Chalita o fato de ele não ser um nome capaz de conter a rebelião peemedebista. Ele é ligado ao vice-presidente Michel Temer, hoje uma das alas mais pacificadas do partido para o governo. A nomeação de um novo ministro da Educação é vista como parte de um lance da xadrez político que inclui a acomodação de outros descontentes do principal partido da coligação de Dilma, depois do PT.

O ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) é visto como um nome do agrado do atual ocupante do cargo, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que se transformou no maior problema para a coordenação política do governo. A questão é que ele era apontado como um possível substituto para o ministro do Turismo, Vinícius Lages. E o presidente do Senado, Renan Calheiros, trabalha pela permanência de Lages no cargo.

Alves era visto desde dezembro como certo no ministério do segundo governo de Dilma. Agora, seu nome está fortalecido depois de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ter pedido o arquivamento da investigação contra ele na Operação Lava Jato.

Por outro lado, a escolha de Chalita seria um reconhecimento a um aliado que tem sido bastante fiel aos petistas nos últimos anos. Ele trabalhou pela eleição do prefeito Fernando Haddad (PT) no segundo turno em 2012 e depois fez campanha para Dilma. O PMDB esteve dividido no ano passado, inclusive em São Paulo, onde o candidato do partido ao governo, Paulo Skaf, se negou a trabalhar pela vitória da presidenta.

Antes de se aliar aos petistas, Chalita foi secretário de Educação do governador Geraldo Alckmin (PSDB) entre 2003 e 2007. Sua gestão foi alvo de diversas críticas dos petistas, principalmente dos que são ligados à Apeoesp, entidade que representa os professores da rede paulista. Haddad já teve de enfrentar os descontentes de seu partido quando o escolheu para comandar a secretária.

Dilma já foi alvo de críticas de petistas quando escolheu Cid, para ocupar a pasta por ele ter se desentendido com líderes dos professores quando foi governador. Cid deixou o cargo depois de citar na Câmara as acusações de “achaque” contra Cunha, quando foi chamado a explicar as críticas que havia feito antes aos deputados.

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