Meia Hora ganha documentário e é exibido no Festival do Rio

Tabloide trouxe de volta o humor para o jornalismo carioca

Por O Dia

Rio - Luana Piovani continua sem ter Dado (Dolabella) em casa, mas o jornal ‘Meia Hora’, do grupo Ejesa, nunca mais foi o mesmo depois de noticiar — de forma bem-humorada — a separação do casal. A grande sacada chamou a atenção não só do povo nas ruas e nas redes sociais, mas também do diretor de cinema Ângelo Defanti. No próximo sábado, ele apresenta o filme ‘Meia Hora e as Manchetes que Viram Manchete’, no Festival do Rio. 

Documentário sobre o Meia Hora será exibido no Festival do RioReprodução Internet


“Essa capa do Dado foi um divisor de águas para o ‘Meia Hora’. Antes, ele não era cult”, justifica Ângelo. Desde então, ele passou a acompanhar as manchetes do tabloide carioca, que acaba de completar nove anos. Diante de tanta criatividade, Ângelo ficou instigado a levar para as telonas a história do jornal, que, na visão do diretor, virou um veículo essencial. “Sem ele, uma grande parcela de leitores não se manteria informada. Seria uma catástrofe.”

Com 78 minutos, o documentário traz animações com capas que tiveram repercussão, além de depoimentos de profissionais que fizeram parte da criação do jornal, artistas e especialistas. “Foram três anos de pesquisa. Inicialmente, seria um curta. Mas o ‘Meia Hora’ rende muito mais. O filme também mostra coisas que vêm dentro do jornal, como os Bofes da Semana e a Gata da Hora”, acrescenta Ângelo. Ele ri ao lembrar que alguns paulistas duvidavam da existência do jornal com manchetes “tão polêmicas”.

“Fui fazer as animações do filme em São Paulo e eles achavam que era piada minha, que o jornal não existia de verdade. Levar esse filme para a população também tem um ‘quê’ de descoberta.”

O Editor-Chefe Humberto Tziolas, responsável pelas capas do ‘Meia Hora’, é um dos entrevistados do filme. Sua fala mansa e seu jeito tímido até fazem as pessoas duvidarem de que seja mesmo ele quem cria tantas manchetes engraçadas.

“Uma vez, uma universitária veio me entrevistar e se decepcionou, porque disse que eu tinha cara de rico”, conta o editor. Já o diretor do filme acha que Tziolas tem cara de nerd. Ele não se incomoda e se define como bem-humorado. Mas, no dia a dia, o lema ‘perco o amigo, mas não perco a piada’ não funciona com ele. “Sou uma pessoa gentil”, diz, aos risos. Ele faz questão de dizer que as manchetes são, na maioria das vezes, pensadas em conjunto, e admite que usa muitas frases que ouve nas ruas ou nas redes sociais.

“Muitas pessoas sugerem chamadas, e eu confesso que adoro. Já usei até coisa que ouvi do porteiro”, explica ele, que só deixa a gracinha de lado quando o assunto é sério. “Não brincamos com tragédia humana. Existe o limite do bom senso e a gente fica na corda bamba para não errar o tom.” 

‘O CANDIDATO HONESTO’ LÊ O MEIA

O ‘Meia Hora’ também marca presença no filme ‘O Candidato Honesto’, que entra em cartaz dia 2 de outubro nos cinemas. No longa de Roberto Santucci, o presidenciável José Ernesto (Leandro Hassum) é o preferido do eleitorado, mas tudo muda quando ele não consegue mais mentir. A partir do momento em que passa a só falar verdades, João Ernesto, que está envolvido no escândalo da ‘mesadinha’, admite que é corrupto. Logo depois, ele vê no jornal ‘Meia Hora’ o seu nome despencar nas pesquisas de opinião.

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