Bia Willcox: Carnaval de blocos, selfies e muitas flores

O que importa é vestir fantasia e com ela vestir a personagem

Por O Dia

Estamos no meio de mais um Carnaval. Tempo de samba, suor e cerveja. Só? Não, não. É tempo sobretudo de esbanjar beleza e felicidade nas redes sociais. Em meio a tendências, acessórios e fantasias glamourosas ou criativas, muitas selfies, com ou sem pau (de selfie, claro), muitas grupais (fotos), muitos vídeos no Instagram e diferentes multidões (se é que isso é possível). Parece-me que o mais importante de estar num bloco ou na Avenida é, literalmente, sair bem na foto.

A mulherada é um capítulo à parte. Merece uma reflexão mais apurada. Carnaval é tempo de registrar o charme, a gostosura e a feminilidade. E que fique claro: não critico, só constato. Quem nunca teve vontade de sair de si mesma e dar espaço a possíveis fantasias incabíveis no dia a dia? O espartilho ou a tiara da Mulher Maravilha, o tutu da bailarina, as orelhinhas da ‘Playboy’, o avental de enfermeira, as penas da índia... quem nunca desejou por um dia? Isso sem falar na coroa de flores.

Bia Willcox posa com uma coroa de flores na cabeça%2C um acessório que está cada vez mais popularDivulgação

Nove entre dez fotos de blocos tem pelo menos uma mulher com flores na cabeça. Ambulantes espalhados pela cidade do Rio vendem coroas de flores de todos os tamanhos e cores. Muitas flores. E eu me pergunto: é o Carnaval a possibilidade de experimentar um visual belo e feminino sem rótulos ou questionamentos? Somos todas românticas inveteradas precisando dos blocos de Carnaval para dar vazão ao fluxo hormonal e cultural represado no resto do ano?

Não sei ao certo. E isso não importa muito. O que importa é vestir fantasia e com ela vestir a personagem. É sair um pouco de si e se permitir se mascarar e voar por entre outras máscaras carnavalescas. É poder ser o que normalmente não se é. É Carnaval. Mais do que só folia, é hora da alegria de podermos ser diferentes. De sermos mais bonitos, charmosos e atraentes. de soltarmos nossas todas as frangas e nos travestirmos. É tempo de registrar o seu Carnaval. Eternizar os visuais nas redes. Perpetuar as hashtags dos blocos e escolas de samba. Dar e vender o que só você pode produzir — momentos (e fotos) de pura felicidade. E cá entre nós, que pipoquem cada vez mais flores nas cabeças dessa cidade — o Rio de Janeiro, que continua lindo, agradece.

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