Ricardo Cota: Rio, sucursal da Cidade Luz

Foi em 1898 que o imigrante italiano Affonso Segretto realizou o primeiro registro de um cinematografista brasileiro

Por O Dia

O imigrante italiano Affonso Segretto e seu equipamento de filmagemDivulgação

Rio - Em meio às comemorações dos 450 anos de fundação da Cidade do Rio de Janeiro, é hora também de lembrar a chegada de um outro aniversário, não menos representativo, justamente por estar ligado a uma das mais importantes atividades econômicas e culturais do país: o cinema.

Pois foi em 1898 que o pioneiro imigrante italiano Affonso Segretto realizou aquele que até hoje é documentado como o primeiro registro de um cinematografista brasileiro. Affonso retornava de uma viagem da Europa, de onde trouxera o histórico cinematográfo que produziria os primeiros registros de imagens no Brasil.

E foi de dentro da embarcação que ele flagrou imagens da Baía de Guanabara, impondo ao Rio uma condição exclusiva na história do cinema brasileiro. Affonso era irmão de Paschoal Segretto, que se tornaria o maior nome da área do entretenimento no Brasil da virada do século. Paschoal realizou a primeira projeção cinematográfica no Brasil, em 1896, e em 1897 inauguraria a primeira sala de exibição do país.

Vale lembrar que a primeira exibição cinematográfica mundial, promovida pelos Irmãos Lumière, ocorrera em Paris, em 28 de dezembro de 1895, no Grand Cafe, no coração da Cidade Luz. O cinema, portanto, desde sua invenção, despertou o interesse brasileiro e encontrou no Rio de Janeiro uma sucursal da Cidade Luz.

É claro que o cinema espalhou-se por todo o Brasil, movimentando centros no Nordeste, como Pernambuco e Bahia, terra de Glauber Rocha, até o Sul do país, onde é inegável a participação do Rio Grande do Sul e, claro, em São Paulo, terra da Vera Cruz e do Cinema da Boca do Lixo.
Mas o Rio tem a sua história vinculada a movimentos nacionais e internacionais, como a Chanchada, o Cinema Novo, e o cinema alternativo, o underground, que na nossa versão virou údigrudi. Em 1996, a conhecida retomada do cinema nacional começou exatamente aqui, com a chegada nas telas do ‘Carlota Joaquina’, de Carla Camurati.

Também no Rio encontram-se a Escola de Cinema Darcy Ribeiro e demais cursos universitários, como o da PUC e da Estácio. Além do curso da UFF, que, embora não esteja no Rio, está logo ali, em Niterói, formando um grande número de técnicos, realizadores e intelectuais da área que atuam aqui e alhures.

Por tudo isso, nos 450 anos do Rio é hora também de celebrar o cinema carioca e realçar sua expressão cultural através de mostras e eventos. Que se faça a luz!

AÇÃO!
* O Centro Cultural Banco do Brasil realiza de 11 de março a 5 de abril a Mostra do Filme Livre. Em sua décima-quarta edição, a Mostra abre uma janela para os filmes nacionais com pouca projeção no circuito comercial. Este ano serão exibidos 209 filmes nos mais diversos formatos audiovisuais. Os cineastas homenageados serão Silvio Tendler e Maurice Capovilla, que lança ‘Nervos de Aço’, baseado na obra de Lupicínio Rodrigues. Bom exemplo da força do cinema brasileiro contemporâneo.

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