Histórias de infância de Ivone Lara serão contadas em biografia

'Dona Ivone Lara — A Primeira Dama do Samba' mostra sob outros ângulos o protagonismo da sambista

Por O Dia

Rio - Aos 94 anos, Dona Ivone Lara é tida como a primeira mulher a compor sambas para uma escola — na antiga Prazer da Serrinha e, posteriormente, no Império Serrano, que ajudou a fundar. Em ‘Dona Ivone Lara — A Primeira Dama do Samba’, livro da série Sambabook (Ed. Casa da Palavra, 230 págs, R$ 45), o jornalista Lucas Nobile mostra sob outros ângulos o protagonismo de Dona Ivone.

Samba anos 70%3A Nelson Cavaquinho (E)%2C Beth Carvalho%2C Cartola e Dona Ivone em foto publicada no livroDivulgação

“O papel dela na música é bem mais amplo. Dona Ivone é uma artista completa. Canta, compõe, faz as próprias roupas e ainda dança o ‘miudinho’ (passo de dança do samba) de maneira própria. O Caetano Veloso já quis fazer um documentário só sobre a dança da Dova Ivone”, conta Lucas.

Capa da biografia sobre Ivone LaraDivulgação

O projeto vem acompanhado, como de costume, de CD e DVD — gravado na Cidade das Artes em novembro, com intérpretes como Maria Bethânia, Criolo, Martinho da Vila, Caetano Veloso e a portuguesa Carminho relembrando sambas como ‘Sonho Meu’, ‘Tiê’, ‘Alguém Me Avisou’ e outros sucessos. Com uma discografia diminuta (12 álbuns), Dona Ivone acabou merecendo tratamento especial da série SambaBook, geralmente dedicada a histórias por trás dos discos.

“Sugeri que o livro tivesse uma cara mais biográfica”, diz o autor. “Muita coisa da infância dela, ou do começo de sua carreira, tinha sido contada de maneira superficial, como o fato de ela ter sido enfermeira e assistente social por vários anos e só ter se dedicado exclusivamente à carreira artística após se aposentar. Ou o fato de ela ter tido uma educação musical formal, ter estudado canto orfeônico, mas compor de maneira intuitiva. Parece que a gente já nasce sabendo as músicas da Dona Ivone!”

Lucas entrevistou mais de 60 pessoas, mas teve apenas cinco encontros com Dona Ivone (“ela já está com a memória vacilante”, diz). O livro não deixou de abordar as tensões na relação entre Ivone e seu principal parceiro, Délcio Carvalho (1939-2013). “Eles terminaram a dupla, e acho que o motivo disso foi o ciúme dele. O Délcio compunha com muita gente, mas não deixava que ela pulasse a cerca”, brinca Lucas.

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