Bia Willcox: Só há um clichê que eu consiga falar sem culpas — o amor

Hoje vou desejar a todos um tipo de amor especifico: a empatia. Desejo pelos que sofrem preconceitos mais diversos

Por O Dia

Rio - Hoje é a primeira segunda-feira do ano de 2016. A festa de Réveillon passou e eu não me imagino acrescentando nada de diferente para vocês. Tudo o que pensei em falar me soa um pesado clichê. Os problemas do Brasil são o clichê (de mau gosto) mais antigo de nossa sociedade.

Pensei em falar dos nossos problemas econômicos, da política de ódios e adversidades partidárias, das Olimpíadas, do nosso Rio lindo, dos hospitais se desmanchando, do Chico, do Joaquim, do Moro, do Dirceu, do Lula, da Dilma, do Aécio ou do Cunha. Pensei várias vezes em falar do pouco que aprendi na faculdade sobre impeachment, mas há milhões falando melhor que eu. Passei por violência, trânsito, coxices e petralhices, práticas anti-aging, dietas, ‘Star Wars’, o calor da Cidade Maravilhosa, Mariana, Nova York, Israel, ISIS, desemprego, câmbio, ufa.

Nada novo nesse ano novo para vocês. Vocês não merecem que eu, que bem sei que nada sei, fale de tudo isso. Cogitei seriamente falar sobre o fraco caráter brasileiro (ou será que não é defeito de fábrica desse país e sim uma patologia universal?) — teria muitas observações a registrar. Mas desisti, soaria muito pessimista. Soaria como uma espécie de dor de cotovelo e despeito pela nossa longínqua posição como nação nos rankings globo afora.

Bem, só há um clichê que eu consiga falar sem culpas: o amor. E hoje vou desejar a todos um tipo de amor especifico: a empatia. Empatia é amor puro, é uma espécie de BodyTech de valores e de exercício de sensibilidade. Empatia é arder quando o outro queima, chorar quando dói além de você, se mover por algo que acontece além do seu universo, seja ele de que tamanho for.

Desejo empatia pelos menos favorecidos. Empatia pelos discriminados, pelos que sofrem racismo, preconceitos dos mais diversos, pelos que se esforçam em vão, pelos que perdem tudo por cagadas alheias, pelas vítimas do clima, da crise, da família, do machismo.

Cultivem a empatia, por exemplo, pelos vizinhos menos favorecidos de sua cidade que moram nas comunidades (leia-se favelas) e estão 24/7 sujeitos a tiroteios, balas perdidas, coações e blitz abusivas, humilhantes e ilegais que torturam, queimam, despem o corpo e a alma de quem não tem mais onde morar. Olho ao meu redor e vejo uma certa anestesia e covardia de quem prefere achar que não é “tão assim”.

Só me resta desejar muita coragem para sentir a dor de tantos outros e ainda assim buscar a sua própria felicidade em 2016.

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