Rafael Cardoso: 'Se você não está amando, tem alguma coisa errada'

Mocinho de 'Império' se prepara para a chegada da primeira filha, Aurora, e celebra fase ótima no trabalho e no amor

Por O Dia

Rafael Cardoso celebra fase ótima no trabalho e no amorReprodução

Rio - Se fosse pincelar uma palavra para definir o atual momento, Rafael Cardoso escolheria alegria. Para completar o pacote, deixaria nas mãos da sincronicidade da vida essa felicidade toda que o permeia. Realmente, não dá para reclamar. No ar como Vicente, o mocinho de “Império”, novela das 21h da Globo, e com Aurora, sua primogênita, na barriga do amor da sua vida, Mariana Bridi, o sorriso de orelha a orelha é fixo no rosto do ator de 28 anos.

O papo com o iG aconteceu nos bastidores da novela, após a gravação de uma cena que mostrou um rompante de Vicente. A explosão, claro, é por conta do amor que sente por Cristina (Leandra Leal), que ainda está brecando na pedra do seu sapato, chamada Fernando (Erom Cordeiro), o noivo da jovem. Se é coisa do destino ou não, o mocinho Vicente tem traços evidentes da essência de Rafael - o que foi um agente dificultador na hora da construção do personagem.

Além da boa índole, os dois dividem a paixão pela gastronomia. Na ficção, Vicente luta por um lugar ao sol no restaurante Enrico. Na vida real, Rafael se prepara para inaugurar no Rio o estabelecimento Puro, no Jardim Botânico, que deve abrir as portas ainda esse semestre. Antes disso, Aurora chega para iluminar as manhãs do jovem papai, que se preparou de todas as formas (com cursos e livros) para ajudar Mariana, filha da jornalista Sônia Bridi e do diretor Edson Spinello, na hora do parto natural. O papo passou por "Império", beirou a culinária e terminou em vida. Confira abaixo:

iG: Na novela, está claro que Cristina já está envolvida com Vicente, mesmo noiva de Fernando. Até quando você acha que essa situação se sustenta?
Rafael Cardoso: Não sei como isso vai bater no Vicente, acho que só o tempo vai poder dizer isso para ele. Não adianta, ele é muito íntegro, assim como ela é muito íntegra, assim como o Fernando (Erom Cordeiro) é muito íntegro. É um triângulo amoroso, nas suas convicções, muito correto. Ninguém faria nada por mal, e ninguém iria querer magoar o outro. Acho que se for pelo bem da Cristina e ela colocar isso para o Vicente de que não quer ficar com ele, quer seguir com a vida dela, ele pode ficar com o olhar atento de longe, ele vai respeitar. Esse é um caminho. Ou ele vai continuar tentando mesmo, mas devagar, sem atrapalhar. Acima de tudo, ele gosta muito dela, e se é a opção dela tentar seguir uma história com o Fernando, o Vicente respeitaria.

Acha que existe chance de ele virar um vilão, se revoltar com o amor não-correspondido?
Pela índole dele, acho que não. Quem sabe disso, na real, é o Aguinaldo (Silva, autor). É uma obra aberta, então vai saber (risos). Mas pelo que eu criei em cima da criação do Aguinaldo, acho que não. Ele poderia abdicar. ‘Beleza, se é isso que ela quer, então, tá bom’. Mas não que eu acredite que ele vá mesmo fazer isso, porque é um amor antigo, eles viveram isso, e ele viu nos olhos dela que existe esse amor por parte dela também. Ele talvez respeite esse tempo, mas não acredito que ele vá desistir assim.

De modo geral, você é do tipo de homem que acha que sempre vale a pena investir no amor?
Acho que sim. É o que importa para nós na vida, né? É o amor mesmo, não tem outra coisa. A gente tem tudo na vida, pode correr atrás de um monte de coisa, mas no final das contas a gente abdica de tudo, e acredito que a gente é mais feliz assim. Se a gente está em uma busca de felicidade, de estar bem, de estar equilibrado, eu acho que o amor ajuda. O amor é o foco, é o propulsor disso. Se você não está amando, tem alguma coisa errada. Você pode estar amando uma pedra, mas você está amando. Se não tiver nada, repensa a vida aí, porque acho que tem alguma coisa esquisita (risos).

Mesmo com toda postura correta, Vicente e Cristina não resistiram e deram um beijo escondido. Isso os torna também muito humanos, né?
Sim, sim. O ser humano é falho, né? E tudo pode. Eles podem estar ali como amigos e do nada a fagulha bate… É bicho, né? Eles têm esse sentimento interno já. Tem as coisas que saem sem a gente sentir. E vem do instinto mesmo. Eles estão juntos, e tem esse instinto já dos dois que vem de tempos atrás. Então, tudo pode quando os dois se juntam. Sabe quando tem aquela energia que fica latente, e uma hora pode sair uma faísca e pegar fogo? Eu, pelo menos, estou lidando assim, acho que a Leandra também, acho que o Aguinaldo também. Nós estamos muito coesos nisso, para manter esse clima. É comum, é como na vida. Acho que todo mundo já teve, em um momento, isso de chegar perto de uma pessoa que já teve um relacionamento, ou que não teve, mas que sentiu uma atração de alguma forma, e fica aquele frio na barriga. E é uma escolha. Ou você vai embora ou vai para cima.

No começo da novela, Aguinaldo chegou a declarar que o Vicente é o personagem com quem ele mais se identifica. Como encontrou seu Vicente sabendo disso?
É uma responsa, mas fiquei muito honrado. Encaro como um presente, porque é um cara que é apaixonado como eu, Rafael, pela gastronomia, e por isso vai colocar no texto as coisas interessantes que ele acredita, e vai conseguir retratar bem esse mundo gastronômico, que não é só de alegria, nem glamour. Eu já estava falando na minha vida. Estou muito grato pela sincronicidade das coisas. Estou há três anos nesse movimento da gastronomia, quase trouxe para cá uma filial de um restaurante de um amigo meu de Paris. O tempo que fiquei lá a gente teve a ideia de trazer, mas por ele estar muito envolvido lá, a gente não conseguiu. Aí, em um dia aqui no Projac, eu estava envolvido com isso e estava procurando uma casa no Jardim Botânico para abrir o estabelecimento. Por um acaso, essa mesma casa foi alugada por um outro grupo que a Regiane Alves faz parte, e eles conseguiram alugar antes de mim. Isso me murchou, mas nesse mesmo dia, encontrei a Regiane e ela me convidou para ser sócio do projeto deles.

E você topou?
Entrei de sócio deles. O restaurante se chama Puro, e eu tenho meu blog que se chama Pura Mesa. É a sincronicidade! E daí aparece esse personagem que é chef… Eu só falo (olhando para os céus) ‘tá, obrigado’. Eu só agradeço.

Você é formado em gastronomia?
Não, sou cara de pau mesmo (risos). Fui estudando, ganhando livros, e pesquisando técnicas. Tenho alguns amigos chefs que fui conhecendo pelo caminho, e fui aprendendo cozinhando com eles.

Você come de tudo?
De tudo. A gente tem que caminhar no meio. O meu blog é totalmente voltado para a gastronomia funcional, a medicina pelos alimentos, mas na vida acho que é tudo equilíbrio. Tomo sim meu vinhozinho, minha cervejinha, como meu macarrão com glúten e manteiga com sal, como um bom cordeiro assado… Mas não é todo dia. Procuro trazer minha alimentação diária mais balanceada, usando todas as raízes que divulgo no blog. Por exemplo, como um pedaço de gengibre todos os dias, beterraba antes do treino… É na linha do meio mesmo.

Voltando para a novela, a trama prevê um envolvimento entre Vicente e Maria Clara (Andréia Horta). O que já sabe sobre isso?
Isso está se desenhando, mas como vai acontecer só o Aguinaldo que sabe. Acredito que seja mais para frente, não sei como vai rolar, mas acho que vai ter mesmo esse envolvimento. Também estou esperando e ansioso para ver como vai ser.

Em determinadas proporções, o Vicente é muito parecido com você. Isso dificultou seu processo de construção para conseguir se afastar dele?
Fiquei quebrando a cabeça para saber onde colocar as diferenças entre nós dois. Nas reações dele - eu sou, realmente, muito mais comedido -, eu coloquei de forma mais expansiva. Ele tem essa coisa da explosão, de inflamar rápido. Eu, graças a Deus, não tenho isso. E tem a história do sotaque. Como ele morou no Rio muito tempo, ele criou a origem da sua fala aqui, mesmo ele sendo nordestino. No Rio ele sempre vai ser nordestino e lá ele sempre vai ser carioca. Mas na essência, realmente, tem muito a ver comigo. Então mexi nessas pequenas coisas e em como ele conduz a vida. Ele tem, por exemplo, um amor mais externalizado do que o meu. Até por ser gaúcho, sinto que tenho essa coisa mais fria de lá que ainda trago na minha essência. Já mudei muito, mas sempre fui mais in, mais fechado. É difícil, ainda estou criando a cada cena, porque estamos no início da novela. Sempre me distancio, mas o que é igual, eu uso. Daí é uma maravilha. A vida imita a arte e a arte imita a vida. Vam’bora, é um fluxo.

Avaliando sua carreira, você sente um peso em ser o mocinho de uma novela das 21h?
Peso, não. A gente sempre está plantando para colher lá na frente. E graças a Deus estou em um momento de colheita. Seja na vida, com minha filha nascendo já, já, como no trabalho também. Eu vim devagar e tenho muita gratidão por tudo que tem acontecido e por estar colhendo isso. Me deu muito trabalho e exigiu muita dedicação, e isso independe se sou um mocinho das 21h ou das 18h. O sucesso nunca vem antes do trabalho. Não sinto peso, porque acho que a vida colocou aí, e se colocou é porque dá para segurar. Peso é a gente que dá para as coisas na vida.

Você falou que sua filha, Aurora, já está para chegar. Ser pai aos 28 anos foi intencional?
Sim, foi planejado, e sempre quis ser pai. Eu sempre fui meio pai do meu sobrinho também… E já com a Mariana, a gente cuida do Pedrinho, que é meu cunhadinho, desde os cinco anos. A Sonia (Bridi, sogra) viaja muito, e eu estou com a Mariana há quase oito anos, e desde o começo a gente cuidou muito dele. Ele me chama de ‘pai 2’ e a Mariana de ‘mãe 2’. Meu sobrinho também é a mesma história. Então nós sempre tivemos essa vontade. Daí, no final do ano passado, a gente estava conversando… A vida estava encaminhada, tudo se resolvendo, a gente comprando nossa casa… Por que não? Peguei a cartela de anticoncepcional dela e fui jogando um por um no café que eu estava tomando. Até achei que fosse demorar um tempo, mas no mês seguinte ela estava grávida (risos).

Você já sentiu que a paternidade te mudou, mesmo antes da chegada da Aurora?
Acho que sim, muda tudo. Eu e Mariana já estávamos em um caminho de tranquilidade, a gente nunca foi de zoação, dessas coisas. Agora mais ainda continuamos assim. E muda totalmente, tudo que você faz você pensa antes duas vezes. Na semana passada fui subir a Pedra da Gávea, e tinha um trecho um pouco escorregadio. Decidi dar a volta maior do que passar naquele trecho, porque se eu caísse agora tem uma pessoa lá embaixo que vai precisar de mim. A gente deixa de correr alguns riscos desnecessários.

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