Nelson Xavier ganha homenagem em festival de cinema no Nordeste

Ator fala sobre carreira durante evento

Por O Dia

Fortaleza - Lampião, Chico Xavier, padre, barão, capitão... Nelson Xavier já foi muitos em seus mais de 50 anos de carreira. Presente na 24ª edição do Cine Ceará, em Fortaleza, onde é um dos homenageados, o ator relembra sua trajetória sem deixar de olhar para frente.

Com dois longa-metragens ainda inéditos no circuito comercial — ‘A Despedida’, de Marcelo Galvão, e ‘Desempenho’, de Érico Rassi —, ele ainda se dedica a escrever um livro sobre sua história e assina o roteiro de um filme sobre a ditadura.

Nelson está escrevendo um livro e atuou em dois longas inéditosRogerio Resende

“O livro é um testemunho. Falo de como lidei com a vida, do que o Brasil foi para mim e eu fui para o Brasil”, diz o ator a respeito de seu mais novo projeto, ainda incompleto. Escrever é uma paixão tão forte para Nelson que, mesmo com vasto currículo no cinema, teatro e televisão, ele faz questão de dizer: “Não sou ator, sou escritor.”

Atrás das câmeras, ele terminou recentemente uma trama sobre os anos de chumbo da ditadura.

“Pertenci a uma geração que quis mudar o Brasil. Mas a gente era ingênuo e a parte podre e atrasada do país deflagrou uma guerra contra a gente. Éramos uma sociedade pujante, mas depois do golpe ficamos comportados”, critica.

Mesmo preferindo o título de escritor, Nelson ganhou o prêmio de melhor ator no último Festival de Gramado, por sua atuação em ‘A Despedida’. No filme, vive um homem de 92 anos que, perto da morte, começa a se despedir de tudo e tem uma noite de amor com Fátima (Juliana Paes), 37 anos mais jovem.

“O cinema só é bom quando a equipe é integrada. Isso aconteceu em ‘A Despedida’. O melhor lugar do mundo é nos braços da pessoa amada. O segundo melhor é no set de filmagem”, analisa ele, que também vive um banqueiro no longa ‘Desempenho’, de Érico Rassi.

O filme, em processo, gira em torno de um velho matador que não quer parar de trabalhar.

“Nunca sonhei ser ator. Queria dirigir. Estudava drama e comecei a descobrir o fascínio de interpretar”, conta ele, que começou no teatro e cinema.

“Tinha horror de televisão. Não era só preconceito, eu tinha medo! Lembro que fui chamado para fazer um galã e fiquei tão nervoso que não consegui, fui substituído! Só muito tempo depois, como Lampião, venci isso e comecei a trabalhar diante da TV.”

Seja como ator ou escritor, a meta é continuar a se entregar a histórias que o motivem. Depois de participar de ‘Trash — A Esperança Vem do Lixo’, do britânico Stephen Daldry, ele não descansa. Aos 77 anos, seu receio é um só: “Vamos ver se eu consigo fazer tudo... Meu povo está indo embora, já foram quase todos”, diz, com um sorriso no rosto.


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