Duas décadas e meia de longas conversas musicais

O jornalista Elias Nogueira reúne 24 das suas melhores entrevistas em livro

Por O Dia

Rio - Após 25 anos de atividade como jornalista cultural, Elias Nogueira, 56, resolveu imortalizar seu material. “Fiz várias entrevistas, boa parte delas com duas horas de duração, com vários artistas, publicadas em vários jornais. Não queria que isso tudo se perdesse e, aconselhado por amigos, decidi colocar em livro”, conta ele, que estreia com ‘Conversando com Elias — Entrevistas Históricas com Personalidades do Meio Musical’ (ed. AMCGuedes, 190 págs, R$ 45).

Algumas das 24 entrevistas saíram em veículos já extintos, como o jornal de música ‘International Magazine’, que Elias ajudou a fundar. “Lá, fiz a última entrevista com o (sambista) Bezerra da Silva (1927-2005). Ele revelou tudo sobre a carreira dele, foi a conversa mais completa que ele teve com um repórter. Falou de detalhes do início da carreira, problemas com as gravadoras”, conta Elias.

Elias (E) com dois Mutantes%3A Sérgio Dias (de chapéu) e Dinho Divulgação

O papo está no livro, bem como uma das últimas conversas com o músico Zé Rodrix (1947-2009). E uma extensa conversa com os Titãs, pouco antes da morte do guitarrista Marcelo Fromer, em 2001. Nomes como Marcelo Nova (Camisa de Venus), Jards Macalé, Armandinho (A Cor do Som), Martinho da Vila, Marcelo D2 e Ney Matogrosso estão também em ‘Conversando com Elias’.

Dinho Leme, baterista dos Mutantes, dá sua primeira entrevista em anos, depois do retorno do grupo, em 2005. Uma das conversas que mais se destacam no livro é a de Marcelo Yuka. Ele havia acabado de levar os tiros que o deixaram paraplégico, e já estava fora do Rappa, gravando solo.

“Não falamos só de música. Falamos do Rio, da violência”, recorda. “O papo foi na casa dele, na Tijuca. Ele estava muito abalado e muito decepcionado com tudo o que havia acontecido, até chorou durante a conversa. Eu o considero um poeta do rock tão importante quanto Cazuza e Renato Russo.”

Elias só lamenta nunca ter conversado com um dos Beatles. “Mas fiz questão de dedicar meu livro a John, Paul, George e Ringo, porque eles foram minha entrada na música. Eles é que me fizeram ser jornalista. Se não fosse isso, seria professor de História”, conta.

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