Ao contrário de sua personagem Vanessa, Maria Eduarda não é nada obsessiva

'Hoje, percebo que ainda há um longo caminho a ser percorrido contra o preconceito com os gays', diz a atriz da novela 'Em Família'

Por O Dia

Maria Eduarda de Carvalho é a obsessiva Vanessa de 'Em Família'José Pedro Monteiro / Agência O Dia

Rio - Dia desses, Maria Eduarda de Carvalho, a Vanessa da novela ‘Em Família’, andava pela Cobal do Humaitá, bairro onde mora, quando ouviu de uma mulher: “Avisa lá para eles que essas coisas que vocês fazem são erradas.” Embora, em geral, as abordagens do público sejam divertidas e carinhosas, a atriz se assustou. “Hoje percebo que ainda há um longo caminho a ser percorrido contra o preconceito com os gays”, conta ela. “Fazer essa personagem me chamou a atenção para um monte de questões que não faziam parte do meu dia a dia e, por isso, eu não prestava atenção”, diz.

Na trama das 21h de Manoel Carlos, ela é assistente da fotógrafa Marina (Tainá Müller), sua ex-namorada e eterna paixão. “As pessoas me falam: ‘Vai viver sua vida’”, diverte-se. A atriz se apressa em dizer que nunca viveu uma relação assim. “Sou filha de psicanalista e, para mim, sempre tem que existir um balanço entre perdas e ganhos, e ali não vejo ganho nenhum”, analisa.

Se na ficção ela torce para um final feliz de sua personagem ao lado da também assistente Flavinha (Luisa Moraes), na vida real Maria Eduarda tem uma vida bem tranquila: aos 32 anos, é casada com o diretor da Globo e cineasta Snir Wine, com quem está há oito e tem uma filha de 3, Luiza. “Minha filha vê algumas cenas comigo, no site da novela. Ela já me acompanhou no Projac e adorou, disse que quer trabalhar lá, para fazerem o cabelo dela e pintarem as unhas, o que ela ama”, ri. As duas, aliás, acabaram de gravar juntas uma participação no ‘Estrelas’, comandado por Angélica.

Embora conte que recebe o carinho do público — inclusive das ‘Clarinas’, meninas que desde o início da novela torciam pelo casal Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) —, jura que não leva cantadas por conta da personagem. “O novo Zé Mayer é a Tainá”, brinca Maria Eduarda, sobre o assédio feminino sofrido pela colega. “Ela brinca que hoje entende como um galã da Globo se sente”, diz.

De qualquer forma, a repercussão dessa que é a maior personagem de Maria Eduarda na televisão até agora acabou fazendo com que a atriz entrasse em contato com algo que ela desconhecia em si mesma: a sensualidade. Convidada para muitos ensaios fotográficos — entre eles, um para a revista masculina ‘Vip’, em que posou sexy —, ela conta que vem se saindo melhor do que imaginava. “Era uma coisa engraçada para mim, porque nunca me achei sensual. Quando era novinha, era difícil ser ruiva: ninguém quer ser diferente na adolescência, todo mundo quer ser igual. Eu era aquela que sempre dançava com a vassoura nas festinhas, sabe?”, diz.

Por falar em sensualidade, a atriz conta que um dos momentos que a deixaram mais apreensiva foi quando teve que gravar sem roupa, para uma cena em que Vanessa e Marina aparecem nuas numa praia deserta. “Já tinha tirado a roupa no teatro, mas tive um certo medo de gravar essa situação. Na hora, foi mais tranquilo do que eu imaginava. E ficou delicado”, elogia ela, que viveu o momento mais difícil de sua carreira justamente no palco. “Era uma montagem de ‘Dorotéia’, do Nelson Rodrigues, e perdi a voz no meio da peça. Pensei em interromper, mas acabei levando até o fim”, lembra.

Maria Eduarda de Carvalho sexy em ensaio especial feito para a revista VIPDivulgação


‘Em Família’ é a quarta novela de Maria Eduarda — a primeira foi ‘Paraíso Tropical’, em 2007. A atriz foi convidada pelo próprio autor, Manoel Carlos, para o papel. “Eu morava no Leblon e nos encontramos por acaso em uma livraria que ele frequenta. Ele veio falar comigo e elogiou o meu trabalho em ‘A Vida da Gente’ (2011). Disse que gostaria de trabalhar comigo”, conta. “Falei a ele que a minha avó ia ficar feliz, porque o sonho dela era me ver numa novela dele, essas coisas que a gente diz quando está nervosa... Um ano depois, acabou acontecendo mesmo a personagem”, conta.

Apesar da obsessão pela ex-namorada, Vanessa tem um lado bem-humorado, que foi ‘emprestado’ da atriz a ela. Em compensação, conta que acabou levando para o seu dia a dia uma característica da assistente de Marina: “Peguei dela os maxibrincos, que não usava.” Ela diz que a preocupação em manter a silhueta magra já vinha de antes, e que sua fórmula para ficar em forma é comer bem, sem exageros, e praticar corrida. “Não faço nenhuma dieta radical, só procuro me alimentar de forma saudável. E corro, para queimar qualquer excesso”, brinca.

Feliz com a oportunidade na TV, Maria Eduarda diz não estar por dentro de problemas com a audiência da trama. “Olha, esse tipo de preocupação não chega até nós, do elenco. Mas acho, sim, que as coisas não vão ser mais como antes. Não vão existir mais aqueles ibopes altíssimos, porque hoje tem muita concorrência: tem a TV a cabo, a internet... Sem contar as pessoas que gravam a novela ou assistem depois pela rede”, acredita. “Mas a novela continua tendo a sua importância.”

Enquanto ‘Em Família’ já se aproxima do final — o último capítulo vai ao ar na próxima sexta-feira e sábado —, ela se prepara para estrear uma peça, já no dia 19: ‘Atrás da Porta’, de Fernando e Guilherme Scarpa, a primeira incursão de Emílio Orciollo Netto na direção. Além disso, tem dois projetos ao lado do marido: um roteiro de um filme e outro de uma comédia para o teatro. Atriz formada nos palcos, ela revela um sonho: “Quero muito fazer cinema. É algo a que pretendo me dedicar.” Outro desejo da ruiva é encarar uma vilã na televisão. “Daquelas bem más, bem detestáveis, sabe? Seria um desafio maravilhoso”, suspira. Autores, está dado o recado.

SEPARAÇÃO NO TEATRO

No espetáculo ‘Atrás da Porta’, Maria Eduarda é Júlia, uma mulher que, depois de sete anos de casamento, decide sair de casa. Ao ser deixado, o marido, Marcos (Bruno Padilha), reúne em seu apartamento um casal de amigos, Chico (Leandro Baumgratz) e Regina (Luiza Scarpa), para afogar as mágoas.

Lá dentro, enquanto Marcos lembra momentos com a amada (que aparece em flashbacks), uma série de revelações acontece. Com viés psicanalítico, a peça mostra uma Julia que se liberta de antigas amarras. “Apesar do tema, uma separação, não é um drama. É uma comédia dramática, na verdade”, resume Maria Eduarda.

Escrito pelo psicanalista Fernando Scarpa e pelo jornalista Guilherme Scarpa, pai e filho, o espetáculo, inédito, marca a estreia na direção do ator Emilio Orciollo Netto, no ano em que ele comemora 25 anos de carreira. A trilha sonora é de Plínio Profeta. A peça estreia dia 19 de julho no Teatro Gláucio Gill, em Copacabana.

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