Gilberto Braga: Seguro mais baixo compensa risco?

Em cada dez colisões somente três condutores contam com a proteção de seguro

Por O Dia

Rio -  Desde abril está em vigência a lei que regulamentou o chamado seguro popular de veículos. A intenção é a de diminuir o custo das apólices e permitir que número maior de proprietários possam segurar carros e contar com proteção em casos de colisões.

Nos últimos anos, para incentivar a economia, políticas financeiras facilitaram o acesso de brasileiros para compra de carro. Para os mais velhos, ter o próprio veículo, nem que fosse para passear de vez em quando ou ir no mercado, sempre foi um sonho de consumo.

O problema é que a frota de veículos cresceu, atingindo mais de 60 milhões e somente cerca de 30% têm seguro. Falando de outra forma, em cada dez colisões, por exemplo, somente três condutores contarão com a proteção de apólice de seguro para remediar seus prejuízos e os dos demais envolvidos. Na prática, na maioria das vezes, quem se envolve numa batida tem muita dor de cabeça e arca com todo ou com parte do prejuízo.

O seguro popular, no entanto, não decolou até agora. Ninguém ouve falar e as seguradoras e corretores não fazem qualquer esforço para vender ou divulgar o novo produto. A má vontade vem do fato de que para baixar o custo da apólice, pretende-se diminuir o custo do sinistro. A nova legislação autoriza que o conserto seja feito em oficinas não credenciadas e com o uso de peças fornecidas por desmanche de carros abalroados ou consideradas genéricas.

Há o temor de que a prática possa se tornar incentivo ao furto de carros para desmontagem e revenda das peças. Por outro lado, há enorme polêmica quanto ao uso de peças não originais e mais baratas, que poderiam diminuir a segurança dos passageiros. A ideia de pagar menos é boa, mas será que vale a pena se houver risco de incentivar furtos, além de colocar vidas em perigo? 

Professor de Finanças do Ibmec  e da Fundação Dom Cabral

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