Juros do consignado caem para servidor e aposentado do INSS

Taxa máxima de crédito com desconto em folha de segurados da Previdência baixa a 2,12% ao mês. União terá índice de 2,2%

Por O Dia

Rio - Aposentados e pensionistas do INSS e servidores da União vão pagar menos juros nas operações de crédito consignado a partir de abril. O percentual do teto das taxas de empréstimo com desconto em folha para segurados da Previdência vai cair de 2,34% para 2,14% ao mês.

O corte também valerá para operações em cartão de crédito. Nesse caso, a taxa passa de 3,36% para 3,06% ao mês. Já o teto dos juros para servidor federal vão baixar de 2,5% para 2,2% ao mês.

O Planejamento vai publicar hoje no Diário Oficial da União a portaria que autoriza a redução dos juros. Ela entrará em vigor em 15 dias. A Previdência ainda não tem data para a publicação, mas informou ao DIA que será nos próximos dias.

A decisão para baixar os juros, segundo nota do Ministério do Planejamento, foi possível por conta da queda na taxa básica (Selic) nos últimos meses. Com a redução, aposentados, pensionistas e servidores poderão migrar de dívidas mais caras para uma modalidade mais em conta, avalia Gilberto Braga, economista do Ibmec e da Fundação D. Cabral. “A taxa mais baixa representa um menor comprometimento da renda e queda no valor do desconto mensal”, diz o economista.

Dependendo da situação, acrescenta Braga, o tomador do empréstimo consegue liberar mais crédito. “Ao refazer o contrato ele vai trabalhar prazo de pagamento e comprometimento de renda, com isso a dívida ficará mais baixa”, avalia.

Para se ter uma base de comparação, enquanto o crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS está em 28,9% ao ano, dados do Banco Central mostram que a taxa de juros do rotativo do cartão de crédito em fevereiro está em 481,5% ao ano. Já o crédito parcelado está em 163,5% e os juros do cheque especial estão em 327%, ambos ao ano.

O crédito consignado é uma das modalidades de menor custo do mercado. Em fevereiro de 2017, o saldo total de empréstimos com desconto em folha atingiu R$291,4 bilhões, dos quais aproximadamente 94% destinados a servidores públicos (R$ 169 bilhões) e aposentados e pensionistas do INSS (R$ 104 bilhões).

Considerando que, neste ano, as concessões de consignados permaneçam no mesmo patamar de 2016, a estimativa é de que o pagamento de juros por parte de servidores e aposentados do INSS nas novas operações pode ser reduzido em até R$3,7 bilhões.

BC avalia que taxa básica deve manter trajetória de queda

O Banco Central (BC) deve acelerar o ritmo de cortes na taxa básica de juros, a Selic. Pelo menos é o que indica o Relatório de Inflação da instituição, divulgado ontem, em Brasília.

Em fevereiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC anunciou o quarto corte seguido na taxa. Por unanimidade, os componentes reduziram a Selic em 0,75 ponto percentual, de 13% ao ano para 12,25% ao ano. Esse foi o segundo corte seguido de 0,75 ponto percentual. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 11 e 12 de abril.

Com a economia em recuperação e as expectativas de inflação em queda, o BC indica que os próximos cortes na taxa podem ser maiores.

“A consolidação do cenário de desinflação mais difundida, que abrange os componentes da inflação mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária (definições da taxa Selic), fortalece a possibilidade de uma intensificação moderada do ritmo de flexibilização da política monetária, em relação ao ritmo imprimido nas duas últimas reuniões do Copom”, diz um trecho do relatório.

A redução da taxa Selic estimula a economia porque os juros menores impulsionam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica, apontou o documento.

Na apresentação do relatório, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Viana de Carvalho, afirmou que há “um anseio legítimo” da sociedade por taxas de juros mais baixas”. Viana acrescentou que o país não está “fadado a conviver com taxas de juros altas para sempre”.

O diretor do BC defendeu ainda que taxas menores dependem do nível de produtividade da economia e das regras para fechar negócios, além das decisões do BC de reduzir a Selic.

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