A duas semanas das eleições, Pezão busca novos apoios

Candidato à reeleição, governador decide adotar um tom mais ríspido contra o adversário, a quem acusa de participar de uma ‘organização’

Por O Dia

Rio - O governador e candidato à reeleição Luiz Fernando Pezão (PMDB) reforçou nesta sexta-feira a tática de relacionar o candidato Marcelo Crivella (PRB) à Igreja Universal, adotada anteontem no primeiro debate do segundo turno, na TV Band. Em caminhada nesta sexta pela manhã na Cidade de Deus, o governador afirmou que vai reagir todas às vezes que o senador fizer ataques contra ele. Pezão disse que citará a ligação de Crivella, com o que ele chama de “organização”.

No primeiro debate do segundo turno, na Band, o governador usou como ataque a “organização que está por trás de Crivella” e, esse acusou o governo de Pezão e do ex-governador Sérgio Cabral de corrupção. “Minhas perguntas foram para discutir o futuro do estado. Mas começaram de novo as críticas, os apelidos, a me ridicularizar. Toda vez que ele fizer isso, vamos mostrar quem está por trás da candidatura do Crivella”, disse, referindo-se à Igreja Universal.Pezão ponderou, porém, que “faz questão de separar os evangélicos da organização que o senador segue”. “A gente começa a mostrar isso, e incomoda o senador Crivella, quando ele vem com esses ataques”, afirmou.

Pezão em campanha na Cidade de Deus%2C na Zona Oeste%3A promessa de investir mais no processo de paz e na promoção dos serviços sociaisAndré Luiz Mello / Agência O Dia

A duas semanas do segundo turno das eleições, Pezão continua em busca de apoios. Na segunda-feira, ele vai anunciar a adesão do PDT e do PROS. Os dois partidos não estavam em sua coligação no primeiro turno. Segundo Pezão, o PV também discutirá uma possível adesão à sua candidatura.

Embora o PR de Anthony Garotinho tenha aderido à candidatura de Crivella, os outros partidos que apoiaram o ex-governador já migraram para a coligação de Pezão. Com estas novas legendas, a coligação do PMDB chegará a 21 partidos. Pezão também já ganhou o apoio de nove dos dez prefeitos do PT, apesar de Lindberg Farias, candidato derrotado ao governo do Rio, ter aderido à candidatura de Crivella. Anteontem, o governador ganhou o apoio do PT do B, legenda que estava com Garotinho no primeiro turno.

Em campanha nesta sexta pela manhã, Pezão se comprometeu com moradores da Cidade de Deus a investir mais no processo de paz e na promoção dos serviços sociais, se for eleito. “Assumimos o compromisso de entrar com as políticas públicas em todos os territórios, mas, principalmente, nos que ficaram muito tempo conflagrados”.Antes de começar a agenda, o governador afirmou que o prefeito Eduardo Paes estaria presente. Mas ao final, declarou que Paes informou que “teve que participar de uma reunião”.

Crivella acusa governador de fazer ‘guerra religiosa’

Candidato ao Palácio Guanabara, Marcelo Crivella (PRB) acusou ontem o concorrente Luiz Fernando Pezão (PMDB) de fazer uma “guerra religiosa”. O senador afirmou que Pezão está “desesperado” e, por isso, tem partido para a ofensiva e colocado em suspeita um aparelhamento entre um possível governo de Crivella e a Igreja Universal do Reino de Deus, do qual o senador é bispo licenciado. A declaração foi feita ontem de manhã, em ato de campanha, em São João de Meriti, na Baixada.

“Certamente isso não vem da cabeça do Pezão. Conheço ele, e ele não é dessas coisas. Isso é coisa do (Sérgio) Cabral, que tem constatado nas pesquisas internas que eu estou na frente. Aí ele falou para o Pezão, que está desesperado, subir o tom”, disse. “O curioso é que Pezão esteve na inauguração do Templo de Salomão. Cumprimentou, abraçou e elogiou o bispo Macedo (do qual Crivella é sobrinho). Agora se voltou contra a igreja. É triste. O Rio não merece mais quatro anos de Cabral e Pezão”, completou.

Depois de receber o apoio do ex-rival Anthony Garotinho (PR), que chegou em terceiro lugar na corrida para o Palácio Guanabara, Crivella contou que tenta conseguir a adesão do senador eleito Romário (PSB) à sua candidatura. Ele disse ainda que conversou anteontem com representantes do PV e do PC do B para costurar aliança. Na segunda-feira, Crivella vai se reunir com a presidenta Dilma Rousseff para tentar convencê-la a participar de ato de sua campanha. Também apoiada por Pezão, Dilma comunicou no início desta semana que não deveria participar de evento com nenhum dos dois candidatos ao governo do Rio.

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