Vídeo: Ronaldinho vira herói e salva menino de perseguição policial no Rio

Craque participa de comercial norueguês em 'clima olímpico'

Por O Dia

Rio - A propaganda norueguesa lançada na internet pela marca esportiva XXL Sport & Villmark para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, que usa uma favela carioca como cenário, está causando polêmica. No vídeo ‘Sport Unites All’, de três minutos, um menino encontra uma carteira perdida e, ao tentar devolvê-la para o dono, é abordado e tratado como suposto ladrão por policiais militares, que não lhe dão tempo para explicações.

Antes de iniciar uma intensa e surreal perseguição pela comunidade, um dos policiais pergunta ao menino, que aparenta ter uns 11 anos: “De quem é essa carteira?”. “O cara da moto deixou cair”, responde o garoto. O PM então ordena: “Deixa a carteira aí rapaz!”. E é afrontado pelo menor, quem antes de sair correndo, grita, com o dedo do meio em riste: “Vai se f. . Não é sua (a carteira)!”.

Na descida pelas vielas até a areia, o suspeito cruza com esportistas amadores praticando várias modalidades, algumas olímpicas e outras não, sempre com a comunidade e paisagens da cidade como panos de fundo. No final do comercial, quem aparece, numa praia, se apresentando como dono da carteira e livrando o acusado de roubo é o jogador Ronaldinho Gaúcho, que se apresenta como dono da carteira, para surpresa de vários policiais que acabaram se envolvendo na perseguição. O vídeo termina com o menino, Ronaldinho e os PMs jogando uma pelada na praia.

Após críticas de internautas nas redes sociais, que classificaram o anúncio como “patético”, “lixo” e “ridículo”, a empresa XXL usou suas contas nos mesmos canais para tentar se justificar. “Nas sombras dos Jogos, você pode encontrar crianças nas favelas onde o brilho da Olimpíada é ofuscado pela pobreza e difíceis condições de vida”, destacou o texto, em tradução livre. E afirma ainda que “no Brasil, todos amam futebol e praticar esse esporte, ou qualquer outro, é algo positivo, que pode superar obstáculos e vencer conflitos”.

Em nota, o comando da Polícia Militar disse ter entendido que o comercial mostrou a polícia “atuando nas comunidades e, não desistindo em momento algum de cumprir seu objetivo, que era o de resgatar o objeto encontrado pela criança”.

“Entendemos ainda que graças à presença da PM várias modalidades esportivas estão sendo praticadas nas comunidades do Rio”, afirma o texto, que, porém, mostra contrariedade com a iniciativa da empresa. “O que chocou a PM e, talvez, toda a sociedade e a própria imprensa, foi a forma com que a agência de publicidade retratou o fato, usando uma criança para proferir uma frase imprópria e desrespeitosa contra um servidor público, que está na sua missão precípua, de servir e proteger.”

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