Investidores buscam ampliar diversificação global

O enfraquecimento da economia nacional tem levado investidores a buscar alternativas externas, sem necessariamente ter evasão de recursos do país

Por O Dia

São Paulo - O fraco crescimento da economia e a ausência de eventos de liquidez vem influenciando os investimentos no segmento de private banking de forma negativa desde 2012, levando investidores a buscarem a diversificação do seu patrimônio globalmente. Embora a desaceleração tenha impactado a indústria este ano, o Citi Private Bank no Brasil apresenta um crescimento maior nos primeiros oito meses do ano, de 15% no volume sob gestão. No entanto, para 2015, a expectativa é de que a expansão seja um pouco menor.

De acordo com o vice-presidente do Citi Private Bank no Brasil, Cesar Chicayban, essa mudança no perfil das famílias faz parte do processo de “amadurecimento”. “As grandes famílias perceberam a necessidade de diversificar o patrimônio globalmente e chegaram à conclusão que estavam extremamente concentradas no Brasil”, diz, ressaltando que a ampliação de portfólio não significa, necessariamente, a saída do dinheiro do País.

“Muitas vezes o investidor nem tira o capital do Brasil. Existem alternativas de ativos fora do País que o cliente compra através de produtos que estão no Brasil, como um fundo de ações global, por exemplo”, diz, ressaltando também que existem as famílias que optam por levar o dinheiro para fora através da aquisição de algum negócio em outro país ou comprando imóveis. “Enxergamos os dois modelos acontecendo aqui”, ressalta.

“O mundo voltou a crescer e nós, hoje, crescemos menos do que o resto do mundo, crescemos menos do que os países emergentes. O mundo virou a plataforma de investimento das grandes famílias brasileiras”, afirma.

O executivo explica que de 2003 a 2011, a indústria de private banking tinha expansão anual de dois dígitos em dólares. De acordo com ele, esse desempenho era motivado pela expansão econômica do País, que foi um pouco acima de 4%, pela valorização dos imóveis, pelo mercado de capitais, que estava aquecido com abertura de capital de várias empresas, e também pelas fusões e aquisições.

Passada a euforia, a partir de 2012 a indústria começou a ver uma desaceleração em razão do fraco PIB e da ausência de eventos de liquidez. “Este ano, por exemplo, não teve nenhum IPO. A atividade de fusões e aquisições tem acontecido, mas não com a pujança dos últimos anos que atraiu capital estrangeiro. “O Brasil está preso numa dinâmica de baixo crescimento, com alta inflação e deterioração das contas fiscais. Quando projeta isso anos para frente não é uma boa situação que se vê para o País, e a indústria de private banking pode sofrer com este movimento”, estima.

Diante deste cenário, Chicayban espera encerrar o ano com avanço de 15% a 20% no volume sob gestão, mas, para 2015, a previsão é menos otimista. “Esperamos um desempenho menor, mas não estimamos o quanto”, diz.

De fato, o Citi Private Bank apresenta uma performance melhor do que a verificada na indústria como um todo. Ontem, a Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima), informou que no primeiro semestre do ano os investimentos dos clientes neste segmento apresentaram alta de 5,3% sobre dezembro de 2013, para R$ 608 bilhões de ativos sob gestão.

As aplicações diretas em títulos de renda fixa registraram aumento de 9,1%, atingindo R$ 194,7 bilhões no período. A alta foi influenciada pelo maior interesse por títulos privados, em especial por ativos isentos, com lastros imobiliário (LCI) e agrícola (LCA), que cresceram 18,8% e 17%, respectivamente. Na renda variável, os investimentos em ações avançaram 6%, passando de R$ 83 bilhões para R$ 87,9 bilhões.Já os fundos de investimento atingiram R$ 278 bilhões, alta de 1,7% em relação a dezembro de 2013.

“No geral, os movimentos no setor parecem resposta ao ambiente de elevação de juros e incerteza econômica que marcou o primeiro semestre do ano,” avalia o presidente do Comitê de Private Banking da Anbima, João Albino Winkelmann. “Dessa forma, observamos uma preferência por ativos isentos e aplicações de longo prazo”, acrescenta.

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