Alta frequência cresce no Brasil

Relatório da CVM mostra que essas operações já representam 12% do volume financeiro negociado na Bovespa

Por O Dia

* Por André Boudon andre.boudon@brasileconomico.com.br

As operações de alta frequência — que no exterior são conhecidas pela sigla HFT (de high frequency trade) avançam no mercado brasileiro. A constatação é da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que divulgou ontem o relatório anual relativo a 2013. Dados consolidados pela autarquia mostram que as negociações de compra e venda disparadas por computador representavam apenas 0,6% do volume total negociado na BM&FBovespa em 2010 — ano dos primeiros registros dessa forma de negociação — contra 12% no ano passado.

O impacto no número de negócios já chega a 36,5% do total, contra apenas 2,5% apurado em 2010. A popularização dessas ferramentas de programação — já disponíveis inclusive aos investidores pessoais — levou a BM&FBovespa a refroçar o controle sobre essa modalidade de negócios com um sistema que, segundo a Bolsa, impede oscilações irregulares nos preços das ações em períodos curtos de tempo.

No exterior, a preocupação ainda é maior por causa das “dark pools”, plataformas de negociação em ambiente privado em que os investidores usam as redes de alta frequência para comprar e vender ações anonimamente, com os preços divulgados somente depois que as ofertas foram feitas. A contaminação dos “dark pools” atingiu um gigante do mercado: o britânico Barclays, acusado pela justiça dos EUA por mentir aos clientes sobre a possibilidade de realizar negócios com operadores de operações de alta frequência.

Oficialmente, a CVM informou que acompanha a avolução dos negócios de alta frequência no Brasil, embora acompanhe atentamente a evolução do debate sobre essas operações no exterior.

O relatório da CVM também destaca a atuação fiscalizadora da autarquia. Em 2013, foram realizadas inspeções em 326 instituições, o que representa um aumento de 37% em relação ao ano anterior. O maior contingente de inspeções teve como alvo os agentes autônomos de investimento — 47% do total —, seguidos dos fundos de investimento, administradores e gestores de recursos, que representaram 30%. Entre as inspeções de rotina, destaque para os fundos de investimento (63) e os intermediários (153). Também foram realizadas 12 inspeções em auditores independentes.

A CVM realizou entre 2010 e 2013 38 julgamentos relativos a manipulação de mercado e o mesmo número em processos de uso indevido de informação privilegiada. Assuntos relativos às condutas de administradores foram alvo de 21 julgamentos. Esses julgamentos tiveram como resultado a aplicação de 132 multas e a queda do número de absolvições (102). O número de sanções cresceu de 123 em 2012 para 182 em 2013. Das 182 sanções aplicadas, 132 foram multas, 37 advertências e 11 inabilitações.

Últimas de _legado_Notícia