Consórcio dispara em setembro

Total de créditos comercializados para veículos leves avançou 92,5% no mês ante agosto, segundo Abac

Por O Dia

São Paulo - O sistema de consórcio registrou recorde em setembro ao atingir a marca de 6,03 milhões de participantes ativos ante 5,6 milhões registrado em setembro de 2013. O desempenho foi puxado pelo segmento de veículos leves, que apresentou avanço de 12% sobre igual período do ano passado, para 2,52 milhões de participantes ativos. Os dados são da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac) que divulga, nesta semana, os números completos do setor.

O total de créditos comercializados na modalidade autos leves apresentou expansão de 92,5% em setembro na comparação com agosto, para R$ 4,12 bilhões. Já os créditos disponibilizados para veículos leves atingiram R$ 1,74 bilhão no mês passado, ante R$ 1,66 bilhão em agosto. Embora os números de setembro sejam positivos, no acumulado do ano o setor apresenta retração de 13,3%, para R$ 26 bilhões e 21,4%, para R$ 13,6 bilhões, respectivamente.

De acordo com o presidente executivo da Abac, Paulo Roberto Rossi, o setor, assim como outros, também sofreu com a Copa do Mundo, os feriados e, também as férias. Com relação ao cenário político, o executivo avalia que não houve influência relevante. De acordo com ele, o que mais deve ter adiado a opção do consumidor é o momento econômico que o País vive. “A inflação em alta corrói o o poder de compra do consumidor. Além disso, também tem o endividamento da população que, num cenário de incertezas, leva o consumidor a decidir pelo adiamento de novas dívidas”, diz.

Rossi ressalta que o número de setembro foi bastante positivo, mas ainda é cedo para falar em retomada do setor. “Apesar da reação de cotas vendidas, principalmente de autos leves é preciso esperar um pouco mais para saber se é uma tendência. O consumidor está mais cauteloso. Não dá para saber se a reação do mês passado será mantida até o final do ano”, diz, acrescentando ainda, que, diante de um ano com fraco crescimento econômico, se o setor conseguir empatar com a performance de 2013, já terá sido um “bom desempenho”.

O executivo pondera ainda que o crescimento do mês passado não foi causado pela dificuldade do consumidor em conseguir crédito. Este ano, em razão do ritmo da economia, os bancos estão mais seletivos na concessão de empréstimos, pois querem evitar um avanço da inadimplência em suas carteiras. Rossi ressalta, no entanto, que sempre há um resíduo desse consumidor que não tem acesso tão fácil ao crédito. Mas, segundo ele, isso só ocorre quando não existe a necessidade de adquirir o auto imediatamente. “Quem precisa (do veículo) vai dar um jeito e comprar financiado ou à vista. Quando não precisa, o consumidor procura guardar o dinheiro e investe no consórcio. Esse consumidor está pensando no médio e longo prazos”, explica.

Um levantamento feito pela Abac este ano mostra que, atualmente, todas as classes sociais participam de consórcio. A classe C ainda é mais presente neste segmento e responde por 52% do total, seguida da classe B, com 23%, D, com 22% e, classe A, com 3%.

Levantamento feito pela Cetip mostra que nos primeiros nove meses do ano foram realizadas 654 mil operações de consórcio de veículos. O resultado representa uma alta de 0,5% ante o mesmo período de 2013, quando foram verificadas 651 mil transações. O consórcio foi a única modalidade de financiamento que apresentou alta em todas as categorias em relação ao último ano.

A expansão foi verificada principalmente nos consórcios de automóveis leves usados, que avançaram 21% no acumulado deste ano, na comparação com o mesmo período de 2013, e passaram de 133 mil para 161 mil operações.

Ainda segundo os dados da Cetip, os financiamentos de veículos no Brasil no mês passado somaram 564.515 unidades, sendo 275.257 unidades novas e 289.258 usadas. O volume representa uma alta de 9,8% em relação ao último mês de agosto e de 5,4% na comparação com setembro do ano passado.

No acumulado de janeiro a setembro deste ano, foram financiados 4,651 milhões de veículos, um volume 6,6% inferior ao verificado no mesmo período em 2013.

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