Ibovespa avança 2,68% com Petrobras e bancos

O quadro externo apoiou o otimismo, diante de notícias de estímulos na Suécia e um acordo de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia

Por O Dia

A Bovespa subiu forte nesta quinta-feira, com destaque para o setor de educação na expectativa de anúncio de medidas para o Fies, enquanto investidores também aprovaram declarações do novo presidente da Petrobras sobre corte de investimentos.

O Ibovespa avançou 2,68%, aos 49.532 pontos. O volume financeiro do pregão somou R$ 6,5 bilhões. O quadro externo apoiou o otimismo, diante de notícias de estímulos na Suécia e um acordo de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia. Em Wall Street, o S&P 500 subia 0,8%.

"O mercado acompanhou o mercado externo e algum alívio com a sinalização da Petrobras com redução de investimentos e de soltar o balanço auditado bem antes do prazo máximo", observou o gestor Joaquim Kokudai, sócio na JPP Capital Gestão de Recursos.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, disse que a empresa vai vender ativos e cortar investimentos e descartou nova capitalização. As ações da estatal subiram mais de 5 por cento.

Kroton saltou 14,5% e Estácio subiu 10,6%. Fora do índice, Ser Educacional e Anima Educacional evoluiram 14,35 e 10,1 por cento, nesta ordem.

O mercado passou o dia na expectativa do anúncio da data para a volta das recompras mensais de créditos do Fundo de Financiamento Estudantil para 2016 ou 2017, além da reabertura do sistema para novos alunos, o observou a equipe da corretora Brasil Plural.

Em nota a clientes, referindo-se a possíveis mudanças na portaria normativa 23, que alterou o número de repasses de financiamento às companhias de educação, o BTG Pactual escreveu que as empresas parecem mais confiantes num desfecho positivo.

Os bancos Bradesco e Itaú Unibanco foram os principais impulsos para o índice, dado o relevante peso no Ibovespa, após perdas expressivas na véspera.

A empresa de logística América Latina Logística (ALL) disparou 9 por cento, um dia após subir mais de 10 por cento, com a decisão do Cade de aprovar por unanimidade a fusão com a Rumo Logística, controlada pela Cosan Logística.

Da safra de balanços, Braskem subiu 2,6%, com o noticiário da petroquímica incluindo anúncio de programa de recompra de até 3,5 milhões de ações e alta de 17% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) do quarto trimestre.

Natura ficou entre as poucas quedas do Ibovespa fechando em baixa de 6,9%, com o mercado repercutindo negativamente a queda de 23% do lucro líquido do quarto trimestre.

Dólar

O dólar fechou em queda de mais de 1,5% ante o real nesta quinta-feira, dando um respiro após a escalada das últimas sessões às máximas em dez anos, diante de números fracos sobre os gastos do consumidor nos Estados Unidos, novos estímulos econômicos na Suécia e um acordo de cessar-fogo na Ucrânia.

Mas investidores ainda adotaram uma postura de cautela, tentando avaliar se a divisa encontrará forças para retomar o avanço nas próximas sessões.

A moeda norte-americana caiu 1,85%, cotada a 2,820 na venda. "Ninguém consegue cravar se isso é um respiro antes de mais altas ou uma acomodação", disse o analista da WinTrade Bruno Gonçalves. "O dólar tem esta característica: quando ele rasga, vai de uma vez".

Neste ano até a véspera, o dólar acumulou alta de mais de 8 por cento ante o real, atingindo as maiores cotações desde o fim de 2004. O câmbio foi pressionado não só por fatores internacionais, como os temores sobre a possibilidade de a Grécia deixar a zona do euro, mas também pelo medo de um rebaixamento da classificação de risco do Brasil devido à deterioração dos fundamentos macroeconômicos do país.

No cenário internacional, investidores voltavam suas atenções nesta sessão para a Suécia, cujo banco central anunciou corte de juros para o território negativo e novo programa de compra de títulos. Também contribuía para o ambiente de menor aversão ao risco o acordo de cessar-fogo firmado nesta manhã para dar fim aos combates no leste da Ucrânia.

"Era de se esperar que depois de tanta notícia ruim, tivéssemos pelo menos um dia de alívio", disse o operador de câmbio da corretora Intercam, Glauber Romano.

No fim da manhã, o alívio no câmbio ganhou mais um amparo após números indicarem fraqueza nos gastos do consumidor e aumento dos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos. Investidores têm se mantido atentos aos indicadores econômicos norte-americanos em busca de pistas sobre quando os juros começarão a subir na maior economia do mundo.

Além disso, as preocupações com o futuro da Grécia na zona do euro perderam um pouco de força após notícias de que o Banco Central Europeu (BCE) elevou ainda mais o limite para financiamento de emergência a bancos gregos. Mas as discussões entre ministros das Finanças do bloco monetário não resultaram em um acordo e devem ser retomadas na segunda-feira.

"Globalmente, o dia está mais tranquilo, mas quem sabe o quanto isso vai durar?", disse o operador de uma corretora internacional.

Agentes financeiros continuaram atentos ainda à política de intervenções no câmbio do Banco Central brasileiro, que voltou aos holofotes com a pressão recente sobre o dólar. A dúvida é se os impactos da volatilidade cambial sobre a inflação e outros fundamentos econômicos poderiam levar o BC a estender o programa de intervenções diárias para além de março.


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