Documentário revela lado criativo de Woody Allen

Imagine (quase) tudo que você queria saber sobre a vida de Woody Allen e ninguém nunca tinha tido coragem de documentar

Por O Dia

“Woody Allen: Um Documentário”, que estreia hoje, é este filme. Esqueçam o atraso de três anos desde sua estreia internacional, em 2012. O filme permanece obrigatório para os fãs e estudiosos do mais atuante diretor de cinema da atualidade.

Na verdade, trata-se de um produto para a televisão, lançado com três horas e meia de duração pela PBS, mas que ganhou uma versão reduzida, de duas horas, para o cinema. Nada mal. O documentário, que não parece produto televisivo, é dirigido por Robert Weide, cuja bagagem inclui uma série de docs dedicados a humoristas americanos.

“Woody Allen: Um Documentário” compila fragmentos da riquíssima carreira do brilhante judeu do Brooklyn, cujo talento precoce despontou na pós-adolescência escrevendo e desenhando esquetes para jornais. Weide consegue mostrar um Woody Allen muito pouco conhecido, disposto a falar sobre sua carreira abertamente e até mesmo percorrer lugares como a casa em que nasceu, a primeira escola e, é claro, o primeiro cinema.

Allen trata com absoluta transparência de temas recorrentes na sua vida e obra como a obsessão pela morte (“Foi duro quando descobri que tudo isso termina”), a compulsão por filmar (“Preciso dar ordem ao caos à minha volta”), sucessos, fracassos e não foge sequer ao tema da traumática separação com Mia Farrow: “Sei que tem gente que passou a gostar menos de mim e até admiradores que deixaram de ver os meus filmes. A única coisa que posso comentar é que entendo a opinião alheia mas não me importo”.

A lista de entrevistados, que não inclui Mia Farrow, passa pelo colega de ofício Martin Scorsese, o fotógrafo Gordon Willis, um teólogo, produtores e atores, a inseparável irmã e um depoimento colhido pelo próprio Allen de sua mãe, protagonista do curta dirigido pelo cineasta para “Contos de Nova York”. Musas como Mariel Hemingway — que descreve com singular emoção a cena final de ”Manhattan” — Naomi Watts, Scarlett Johansson e Dianne Wiest são escolhidas para destacar os métodos de direção do cineasta. Diane Keaton, a quem o filme reserva os melhores momentos de intimidade nos bastidores, destaca-se pelo carinho sincero e a inteligência soberana.

O melhor do documentário, no entanto, fica por conta dos comentários sobre a vida do diretor extraídos de segmentos de seus próprios filmes. Para os maníacos por Allen, como eu, o oportuno uso de sequências extraídas de filmes como ”Annie Hall”, Manhattan”, “Radio Days“e “Crimes e Pecados” toca na veia sobretudo quando desenham paralelos com outros cineastas-referências para o diretor, como Fellini e Bergman. ”Woody Allen: Um Documentário” é um tributo, um filme de iniciação para novos cinéfilos e de reafirmação para os mais velhos. Está longe de ser definitivo. Mas é fundamental para entender uma obra que, felizmente, continua em processo.

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