Mortandade de peixes na Baía de Guanabara preocupa pesquisadores

Há aproximadamente um mês, savelhas têm aparecido mortas em praias e as causas são investigadas pelo Inea, Uerj e UFRJ

Por O Dia

Rio - O aparecimento de peixes mortos na Praia de Icaraí preocupou moradores do bairro da Zona Sul de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, nesta terça-feira. Em foto enviada por Eduardo Almeida (@Eduard1003), seguidor de O DIA 24 Horas no Twitter (@odia24horas), além dos peixes, uma mancha escura também pôde ser vista na areia da praia. Recentemente, vários peixeis apareceram mortos em praias da Baía de Guanabara.

Informados pela reportagem, técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) afirmaram que uma vistoria será feita no local. No entanto, a mancha, segundo os técnicos, não tem relação com a mortandade dos peixes. Segundo o órgão, o surgimento da língua negra pode ser consequência das chuvas que atingiram a cidade no último fim de semana.

Seguidor de O DIA 24 Horas faz registro de mortandade e língua negra em Icaraí%2C na Zona Sul de NiteróiSeguidor %40Eduard1003

Peixes aparecem mortos em Magé

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Magé enviou um ofício, na tarde desta terça-feira, ao Inea, pedindo mais informações e providências referentes à mortandade de peixes no município, após grande quantidade de animais aparecer morta nas praias da cidade. Segundo o secretário de Meio Ambiente Aldecir Ribeiro, a secretaria estará monitorando junto ao instituto, pois o fenômeno, que está ocorrendo na Baía de Guanabara, causa transtornos e intriga moradores e frequentadores da região.

Mortandade de savelhas preocupa Inea

Há aproximadamente um mês, o Inea tenta descobrir o motivo da morte de savelhas na Baía de Guanabara. Constantes avaliações da qualidade da água e da balneabilidade das praias foram feitas e pesquisadores das universidades Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Federal do Rio de Janeiro (URFJ) foram mobilizados. Contudo, até o momento, os exames feitos pelos técnicos do instituto e por especialistas das instituições de ensino não indicaram anormalidades na água ou nos peixes.

Grande quantidade de peixes mortos é avistada na Baía de GuanabaraDivulgação Magé

Bioquímico da Uerj, Jayme da Cunha Bastos Neto tem como principal teoria para a ocorrência do fenômeno a estiagem prolongada. Conforme avalia, a espécie pode estar morrendo em consequência da quantidade excessiva de sódio no organismo, uma vez que ela busca água salobra, na foz dos rios, para desovar.

“Devido à estiagem, os rios não têm desaguado na baía de Guanabara com volume suficiente para diluir a água. As savelhas possuem enzimas que bombeiam sal para o organismo quando vão para a foz dos rios na época da reprodução. Sem água doce em volume suficiente para diluir o sal, a concentração de sódio pode estar causando a morte da espécie”, explica o bioquímico.

A teoria já havia sido considerada pela presidente do instituto, Isaura Frega, e pelo gerente de Qualidade das Águas, Leonardo Daemon. Em entrevista nesta terça-feira, a presidente ressaltou, que todas as medidas possíveis estão sendo tomadas para descobrir a causa das mortandades. Segundo o instituto, o nível de oxigênio, bem como, o teor de sal da água foram medidos na entrada e no fundo da baía, onde a água deveria estar salobra pela contribuição dos rios. O oxigênio dissolvido, mais uma vez, estava dentro do padrão normal da baía. Já o exame que pode confirmar a teoria dos especialistas só deve ficar pronto entre 30 e 40 dias.

“Estamos buscando a explicação mais provável. Como as savelhas não possuem valor comercial, não há tanta disponibilidade de estudos sobre a espécie. É uma situação atípica. Acreditamos que o fenômeno possa estar sendo motivado pela seca, quando os rios contribuem menos com a Baía de Guanabara. Estamos buscando os melhores especialistas para saber como proceder e descobrir o que realmente está afetando esta espécie”, disse Isaura Frega.

Para realizar as análises bioquímicas nas savelhas, foram capturados na baía e em outras áreas peixes vivos saudáveis e agonizando, dos quais foram coletadas amostras de sangue, tecidos e vísceras para exames. Além da análise bioquímica, os técnicos coletaram mais amostras de água para identificar possíveis presenças de microalgas, embora os cinco testes realizados anteriormente não tenham detectado alterações. Duas das campanhas anteriores já tiveram a participação de especialistas da UFRJ e da Uerj. Foram feitos 225 ensaios de medições químicas da água. Nenhum dos resultados apontou a causa da mortandade.

Peixes vivos saudáveis e agonizando foram capturados pelos pesquisadores para análisesDivulgação Inea

Sobre a improvável contaminação tão prolongada, já que a renovação das águas da Baía de Guanabara ocorre a cada período de sete a 10 dias, a pedido do bioquímico da Uerj, o Inea vai enviar dados do monitoramento que o órgão ambiental faz rotineiramente nas indústrias do entorno. O objetivo é esclarecer qualquer dúvida quanto à contribuição de resíduos industriais para as mortes dos peixes.

Fiscalização na Baía de Guanabara

A operação na Baía de Guanabara teve as participações também da Coordenadoria de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), da Secretaria Estadual do Ambiente (SEA), da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e da unidade ambiental da Polícia Militar, com objetivo de fiscalizar a pesca predatória. Sobretudo, da sardinha, cuja captura está proibida devido ao período de defeso - época em que não são permitidas capturas da espécie devido ao período de procriação.

Até o início da tarde desta terça-feira, quatro traineiras e pequenos barcos de pesca foram abordados e fiscalizados pelos agentes. Nenhuma irregularidade foi encontrada. O coordenador da Cicca, coronel Maurício Padrone, ressaltou que as ações de fiscalização têm sido frequentes e que, inclusive, as operações conjuntas também passarão a ser feitas à noite e durante a madrugada.

“É época do defeso das sardinhas, que vai de 1° de novembro a 15 de fevereiro. Aproveitamos as operações do Inea para fiscalizar as embarcações de pesca, já que nenhuma possibilidade pode ser descartada até que seja identificada a causa das mortandades. Temos observado que os pescadores estão mais conscientes”, concluiu Padrone.

Últimas de _legado_Niterói