Samba no Quilombo do Grotão faz sucesso na cidade

Espaço, no Engenho do Mato, conta ainda com atividades gratuitas de preservação da cultura afro-brasileira

Por O Dia

Niterói - Um sorriso negro, um abraço negro... traz felicidade. Os versos eternizados na voz de Dona Ivone Lara parecem ganhar mais vida no Quilombo do Grotão, em Itaipu. Embrenhado no meio do mato, ou melhor, do Engenho do Mato, o espaço tem se tornado referência da resistência cultural afro-brasileira. No ritmo do samba, claro!, cerca de 300 pessoas se reunem por lá todos os domingos, a partir das 14h30.

A roda de capoeira acontece no último domingo do mêsDivulgação

O clima é bem ‘senzala’, como define o dono José Renato da Costa, o Renatão. A música é acústica, o cardápio traz a boa e velha feijoada, nas paredes estão máscaras de deuses africanos, os banheiros são separados para ‘sinhás’ e ‘sinhôs’, e quando escurece, tradicionais e charmosas lamparinas dão lugar à luz elétrica.

“A ideia é que todo mundo possa ter acesso. Temos um conceito diferente, fazemos um samba negro mesmo. Não é modismo, é pra quem aprecia. Aqui todo mundo fica igual”, explica Renatão.

O espaço fica no meio da Serra da Tiririca, o que já rendeu algumas polêmicas quanto à posse da terra. Mas o Renatão tem o documento que comprova que o terreno foi dado a seu avô. E ele se orgulha bastante da história. “Meu avô, Manoel Bonfim, veio do Nordeste para trabalhar na fazendo do Engenho do Mato e quando foi feita a partilha, a dona da fazenda, a Dona Irene, deu esse pedaço de terra para ele”, conta.

E o espaço é utilizado para o lazer desde os tempos em que o avô realizava forrós que atraíam os trabalhadores das redondezas. Atualmente, toda a família trabalha no Quilombo. Eles também cedem o espaço para estudantes e professores da UFF e Uerj realizarem pesquisas diversas.

Tem mais: o ‘terreiro’ recebe rodas de capoeira. É todo último domingo do mês, às 10h. No local também tem venda de artesanatos. De acordo com Renatão, a ideia agora é organizar uma oficina de jongo todo mês, o projeto já está em andamento com apresentações ocasinais .

Renatão se orgulha de estar à frente do Quilombo do GrotãoDivulgação

A roda de samba aos domingos recebe mestres como Paulão e Carlinhos Sete Cordas. Outro que marca presença é o compositor e historiador Nei Lopes.

E no último sábado de cada mês tem o Samba da Comunidade, de graça, quando o pessoal da Família Quilombo comanda a roda.

Já conhece?

Todos sábados e domingos têm feijoada lá no Quilombo. Custa R$ 15 por pessoa o prato. A roda de samba é sempre aos domingos e a entrada é R$ 10. O próximo samba da comunidade, que é gratuito, será no dia 27 de junho. O endereço é Rua 41, 759. Referência: virar à direita antes da Praça do Engenho do Mato e seguir sempre em frente pelo chão de terra. E é chão, hein. “O objetivo é que a pessoa se sinta mesmo fora da cidade”, diz o dono, Renatão.

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