Problemas na rede elétrica assustam moradores de diversos bairros

Poste destruído, cabo partido e fios no chão são alguns deles

Por O Dia

Niterói - Um encontro de família, um fio de alta tensão rompido... um bebê de 11 meses eletrocutado. Este foi o início do roteiro de uma tragédia da vida real que aconteceu domingo passado em São Gonçalo. O desfecho? O irmão de apenas 13 anos tenta salvar o pequeno e também morre, a exemplo do pai e do avô. O caso ainda está sendo investigado, mas o sinal amarelo acendeu em toda área de concessão da Ampla: e aí, estamos seguros?

Por dois dias a equipe do DIA NITERÓI fez uma ronda pela cidade e encontrou diversas situações de risco. Cabos caídos, pendurados, enrolados em postes ou até largados pelo chão. Na Avenida Central, em Itaipu, um poste parcialmente destruído assusta os moradores.

Cabo solto na Av. Rui BarbosaJoão Laet / Agência O Dia

“Me preocupo com novos acidentes. Sempre falo pro meu filho passar longe dos fios caídos, que já viraram rotina nessa avenida. Outro dia mesmo tinha um fio solto no meio da via, na altura do mercado Supermarket. Eu estava de moto e quase esbarrei nele”, disse a bancária Lana Turnbull.

Não muito longe dali, na Estrada Francisco da Cruz Nunes, perto do Itaipu Multicenter, motoristas têm de se esquivar de um fio que arrasta no chão. O representante comercial Leandro Custódio da Silva colocou a mão para afastar o cabo do carro. “Esse é de telefone, mas dá medo. Não dá pra saber o que tá energizado e o que não tá”, disse.

Verdadeiros emaranhados de fios também são comuns. O comerciante Henrique Bompet já está até acostumado. “Isso é uma guerrinha entre os operadores de telefone e da Ampla. Cada um que vem puxa um fio e coloca por cima, daí fica esse bolo mesmo”, contou.

E não para por aí. Na última terça-feira, a Rua Helio da Silva Carneiro, em São Francisco, ainda sentia as consequências do temporal do dia 13 de dezembro. Um cabo caído preocupava. “Meu carro é grande, quase bate nos fios”, disse uma moradora que não quis se identificar.

De acordo com ela, outros vizinhos ficaram mais de um dia sem luz e a internet ainda não havia sido normalizada. Também em São Francisco, por toda a Avenida Rui Barbosa há fios pendurados.

E no Fonseca há muitos postes cheios de fios embolados. O comerciante Paulo Renato Moura diz que em um deles uma chave tem problema: “É só chover ou ventar que a luz acaba, só em dezembro aconteceu duas vezes. O pior é que quando acontece à noite eles dizem que é área de risco e só vêm consertar no dia seguinte”, lamentou.

Em nota a Ampla informou que realiza serviços de manutenção da rede elétrica constantemente em toda a sua área de concessão, isso inclui reparo e substituição de equipamentos, além da poda de árvores para evitar o contato de galhos com a fiação.

Leandro Custódio teve que colocar a mão em um fio na Estrada Francisco da Cruz NunesMarina Rocha

De acordo com a empresa, em Niterói, este tipo de serviço aumentou cerca de 150% em 2015, na comparação com o ano de 2014. Falando em números, 30 equipes de atendimento trabalham diariamente na cidade em serviços de emergência, manutenção e poda. E, ainda segundo a Ampla, em casos de tempestades e ventanias, o número triplica e 90 equipes são acionadas.

Sobre os casos citados nesta reportagem, a empresa esclarece que alguns deles já foram solucionados.

Falta de luz incomoda clientes de vários bairros

Pelas redes sociais já dá pra saber que a falta de luz é um problema enfrentado por moradores de todas as partes da cidade. No último dia 30, o condomínio Village Pendotiba ficou 20 horas sem luz. E o pior, ninguém conseguia contato com a Ampla.

“Foi um sufoco. A casa estava cheia e, como a bomba não funcionava, também ficamos sem água. A sorte é que não tínhamos comprado todos os comes e bebes para o Réveillon”, contou a repórter de O DIA Maria Inez Magalhães.

Em Camboinhas, a falta de luz virou rotina. Os moradores do condomínio Jardins de Camboinhas já não aguentam mais ficar sem energia. Tanto que o geofísico Ricardo de Bragança comprou seu próprio gerador.

“Isso foi há dois anos, quando quase todo fim de semana ficávamos sem luz. E hoje, apesar de ter melhorado um pouco, ainda ficamos muitas vezes sem o serviço. Foi um excelente investimento”, relatou.

Fios e galhos não combinam

Outro problema recorrente por aqui é árvore que embola no fio, ainda mais em dias de fortes chuvas. A Ampla explica que a poda das árvores só é de responsabilidade da concessionária quando a vegetação alcança níveis de concentração próximos à rede elétrica, prejudicando o fornecimento de energia de seus clientes e colocando em risco a população local. Segundo a empresa, há um treinamento específico para os funcionários que realizam esta atividade.

Cuidados com a rede:

Não tocar no fio partido. Mesmo que o local esteja sem fornecimento, não significa que o cabo esteja desenergizado.

Isolar a área com galhos de árvore, triângulo, cones ou outros tipos de sinalizadores de perigo e ligar imediatamente para a Ampla (0800 28 00 120).

Em caso de choque:

Não tocar na vítima, nem se aproximar dos fios caídos ou objetos em contato com eles. Para interromper o contato da vítima com a corrente elétrica, utilize material não condutor seco (pedaço de madeira, corda ou borracha). Nunca use objeto metálico e evite materiais molhados.

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