Comissão irá participar da exumação dos restos mortais de João Goulart

Missão pretende conhecer jazigo do ex-presidente, fazer contatos com as autoridades e outras questões logísticas

Por helio.almeida

Brasília - A Comissão da Verdade participa da missão preparatória que irá exumar os restos mortais do ex-presidente João Goulart, o Jango, em São Borja, no Rio Grande do Sul. Desde o sepultamento de João Goulart, paira a suspeita de que sua morte pode ter sido articulada por países sob ditadura.

Jango foi sepultado sem passar por uma autópsia, por imposição do regime militar, vítima de 'enfarto do miocárdio', mas até hoje paira a suspeita de que sua morte pode ter sido articulada por países sob ditaduraDivulgação

A missão pretende conhecer o jazigo em que está sepultado Jango, fazer contatos com as autoridades locais e calcular o tempo de saída da cidade e outras questões logísticas fundamentais para a retirada dos restos mortais, que serão examinados no Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília.

Após a perícia, será necessária a guarda constante do jazigo e sua preservação até a data da exumação. A data deverá ser definida na reunião de todos os peritos que trabalharão no caso, agendada para a segunda quinzena de setembro, na sede da Polícia Federal, em Brasília.

Suspeita de assassinato

Jango morreu no exílio, na Argentina, em 6 de dezembro de 1976. Sua morte foi atestada como "enfarto do miocárdio", mas ele foi sepultado sem passar por uma autópsia, por imposição do regime militar. Até hoje paira a suspeita de que sua morte pode ter sido articulada pelas forças repressivas de Brasil, Argentina e Uruguai, que viviam sob ditaduras naquele período.

Hoje já há provas de que o ex-presidente foi monitorado durante todo o seu exílio. O ex-agente uruguaio Mario Neira Barreiro, preso no Brasil por outros crimes, deu sucessivas entrevistas e depoimentos afirmando que existiu a Operação Escorpión, um plano para matar o presidente, que teria sido concluído por meio da adulteração ou substituição dos remédios para o coração que Jango tomava.

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