Marina Silva: 'É, sem sombra de dúvida, uma tragédia'

Ambientalista ficou com voz embargada ao lembrar os últimos meses de convivência após o início da campanha eleitoral

Por O Dia

São Paulo - Muito abalada, a candidata à vice-presidência na chapa de Eduardo Campos, Marina Silva, fez um pronunciamento na tarde desta quarta-feira, em São Paulo, prestando solidariedade a família do ex-governador de Pernambuco. Ao prestar condolências à família, Marina citou o nome da esposa e de todos os cinco filhos de Campos. 

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"Quero pedir a Deus que sustente a Renata, a Maria, o Zé, o João, o Dudu e o pequenino Miguel e a todos os familiares do Eduardo Campos. É, sem sombra de dúvida, uma tragédia que nos impõe luto e tristeza que sei que os brasileiros estão compartilhando conosco".

Eduardo Campos esteve reunido nesta terça-feira junto com sua a vice%2C Marina Silva%2C com o cardeal arcebispo Dom Orani Tempesta%2C no RioDivulgação / Gustavo de Oliveira

A ambientalista ficou com a voz embargada ao lembrar os últimos meses de convivência com o início da campanha eleitoral. "Foram dez meses de intensa convivência. Começamos a fiar juntos o ideal de um mundo melhor. Eduardo estava empenhado até os últimos segundos de sua vida", declarou.

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Relembre a trajetória de Eduardo Campos

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A aliança com Marina Silva representou uma reviravolta na candidatura de Eduardo Campos. Antes do acordo entre o PSB e a Rede Sustentabilidade de Marina, o candidato buscava consolidar seu nome buscando apoio de nomes mais próximos da direita, como o representante do agronegócio Ronaldo Caiado (DEM-GO) e do ex-senador Jorge Bornhausen. Ao aproximar-se de Marina, Campos passou a defender o desenvolvimento sustentável, o que provocou o afastamento de Caiado. 

O PSB tem 10 dias para apresentar o nome de um novo candidato à Presidência da República, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB) morreu em um acidente aéreo em Santos na manhã desta quarta-feira. A informação foi confirmada à deputada Jandira Feghali (PC do B) pelo deputado Romário (PSB), candidato ao Senado na chapa de Campos. A queda da aeronave matou o presidenciável e mais seis pessoas. Pelo menos dez pessoas ficaram feridas.

Campos nasceu no Recife (PE) em 10 de agosto de 1965. Filho de Ana Arraes, ex-deputada federal, e do escritor e advogado Maximiano Accioly Campos, com apenas 16 anos ingressou na Universidade Federal de Pernambuco para cursar Economia; aos 20, formou-se e foi o orador da turma.

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Começou a militância ainda na universidade, como presidente do Diretório Acadêmico. Não traiu o sangue político da família: em 1986, trocou a possibilidade de um mestrado nos EUA pela participação na campanha que elegeu governador de Pernambuco o seu avô, Miguel Arraes – que passara 15 anos no exílio provocado pelo regime militar. Campos morreu no mesmo dia que Arraes. O líder político morreu de infecção generalizada em 13 de agosto de 2005.

Candidato a presidência Eduardo CamposAgência Brasil

Em 1990, depois de trabalhar como secretário de Governo do avô, filiou-se ao PSB e conquistou um mandato de deputado estadual. Chegou ao Congresso Nacional em 1994, dois anos depois de sofrer sua única derrota eleitoral até hoje: foi quinto lugar na eleição que levou Jarbas Vasconcelos pela segunda vez à prefeitura do Recife. Em 1998, foi reeleito para a Câmara dos Deputados como o deputado federal mais votado de Pernambuco. No seu terceiro mandato em Brasília, conquistado em 2002, atuou em defesa da candidatura de Lula, depois de um primeiro turno com Anthony Garotinho.

Ministro do governo Lula

Em 2003, estreitando os laços com Lula, tomou posse como ministro de Ciência e Tecnologia – o mais jovem no primeiro mandato do presidente. Em sua gestão, foi aprovada a lei que autoriza pesquisa com células-tronco. Data dessa época suas desavenças com o todo-poderoso José Dirceu.

Em 2005, Campos e Aldo Rebelo, então ministro de Relações Institucionais, manobraram para barrar a CPI dos Correios, que trouxe à tona o mensalão. Numa reunião com Dirceu, que terminou em clima hostil, Campos teria sido aconselhado a desistir da candidatura ao governo de Pernambuco em favor do petista Humberto Costa. “Eu não preciso do PT para ser governador. A única pessoa a quem eu tenho de dar satisfação é Lula”, teria respondido. Mais tarde ganharia pontos adicionais com o presidente ao ser fiel durante a crise do mensalão e ao retirar sua candidatura à presidência da Câmara em favor de Rebelo.

Governo de Pernambuco

Depois de assumir a presidência do PSB em 2004, lançou um ano depois sua candidatura ao governo de Pernambuco. O curioso é que, durante a campanha, Lula resolveu apoiar não apenas um candidato, mas dois: além de Campos, esteve também ao lado de Humberto Costa, o indicado pelo PT, numa manobra arriscada para enfraquecer a hegemonia do ex-governador Jarbas Vasconcelos, que apoiava a reeleição de Mendonça Filho. Campos e Mendonça chegaram ao segundo turno com a vitória do primeiro, que aglutinou mais de 60% dos votos válidos.

Desde a cerimônia de posse – marcada pela presença de camponeses, lembrando o clima que havia nos tempos do avô Miguel Arraes –, Campos realizou um governo sem percalços. Tudo lhe foi favorável para que seu nome ficasse mais conhecido nacionalmente. Uma das vitaminas estimulantes de sua gestão foi a atração de recursos do governo federal – de longe o maior investidor na economia local. Em 2010, disputou a reeleição, e, mais uma vez, contou com a mão de Lula durante a disputa.

Eduardo Campos e o avô%2C Miguel ArraesReprodução

Saiu-se com folgada vitória ainda no primeiro turno: quase 80% dos votos válidos, enterrando de vez o seu maior adversário político, o senador Jarbas Vasconcelos.

Em 2013, Campos rompeu com o governo Dilma para concorrer à Presidência da República. Às vésperas do encerramento do prazo eleitoral para as inscrições das candidaturas, ele anunciou a aliança com a ambientalista Marina Silva, que não conseguiu inscrever seu partido para a disputa do pleito. Em entrevista ao programa Canal Livre, da 'TV Bandeirantes', ele explicou porque decidiu concorrer ao mais alto cargo do Executivo. "O Brasil precisa sair desse presidencialismo de coalisão, desse cenário de baixo crescimento, inflação alta, carga tributária se elevando e nada de inovador sendo feito. Entendemos que é hora de construir uma alternativa que preserve as conquistas sociais, renove a política e aponde as possibilidades do Brasil ir mais longe"

A última entrevista do candidato à presidência Eduardo Campos foi ao Jornal Nacional na noite desta terça-feira. Quando questionado sobre como pretendia ampliar os programas sociais criados no governo Lula e ao mesmo tempo enfrentar a inflação, Campos afirmou que a “única promessa é melhorar a vida do povo brasileiro”.

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