'Se a comissão quiser abrir sigilo, deve fazê-lo', diz Cunha na CPI da Petrobras

Presidente da Câmara ainda disse que não tem contas em paraísos fiscais e que nunca encontrou o doleiro Youssef

Por O Dia

Rio - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), declarou nesta quinta-feira que é favorável à abertura de qualquer sigilo seu e que não possui conta no exterior. "Estou aqui rebatendo clara e contextualmente (as denúncias). Se a comissão entender que tem qualquer tipo de dúvida e que deva promover abertura de qualquer sigilo (...) telefônico ou financeiro, ela deve fazê-lo", afirmou o deputado em depoimento na CPI da Petrobras.

Cunha ainda disse que não tem contas bancárias em paraísos fiscais e afirmou mais uma vez que nem ele nem o PMDB têm ligação com o empresário Fernando Soares, apontado como operador do partido no esquema.

"Essas ilações (depoimentos à Operação Lava Jato) são inadmissíveis", manifestou Eduardo Cunha. Segundo ele, houve motivação política para a citação de seu nome na lista com pedido de abertura de inquérito encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Saiba mais: Eduardo Cunha fala na CPI da Petrobras sobre Operação Lava Jato

Eduardo Cunha depôs na CPI da Petrobras nesta quinta-feira Reprodução Tv Câmara

“O Ministério Público escolheu a quem investigar; não investigou a todos, não teve um critério único para todos e, por motivações de natureza política, ele escolheu aqueles que eram alvo de investigação”, disse Cunha durante o seu depoimento, citando como exemplo o pedido de arquivamento da investigação sobre o senador Delcídio Amaral (PT-MS).

Em resposta aos questionamentos da deputada Clarissa Garotinho (PP-RJ), Cunha disse que nunca encontrou o doleiro Alberto Youssef e que as afirmações dele a seu respeito baseiam-se em "comentários de terceiros". Segundo o deputado, ele participou apenas de reuniões públicas na Petrobras. Eduardo Cunha foi mencionado pelo doleiro em delação premiada. "O que vi aqui foi uma reunião de felicitações e achei eu que estivesse numa sessão de CPI. (...) Cabe à CPI indagar, e foi o que eu menos vi na reunião de hoje", criticou a deputada.

O presidente da Câmara citou como exemplo a abertura de inquérito contra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Ele afirmou que a delação premiada também mencionava os nomes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente Dilma Rousseff e do ex-ministro Antonio Palocci, mas Gleisi foi a “escolhida”. “Mostrei a incoerência do procurador que escolheu a quem investigar. Ele não adotou o mesmo critério para todos”, declarou. Cunha afirma que o procurador Rodrigo Janot deve explicar o motivo das escolhas para a investigação da Lava Jato.

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