Cunha nega trabalhar para fragilizar governo Dilma

Deputado diz que não é vilão das contas públicas nem responsável por pauta-bomba

Por O Dia

Brasília - Oposição ao governo desde o final de julho, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), usou ontem as redes sociais para negar que esteja trabalhando para fragilizar a presidenta Dilma Rousseff com a votação de uma pauta-bomba e abertura de CPIs incômodas ao Palácio do Planalto. Ontem, O DIA publicou matéria, mostrando que cinco propostas em tramitação no Congresso criarão gastos extras de R$ 106 bilhões para os cofres da União, estados e municípios.

Cinco propostas do Congresso podem onerar cofres públicos em R$ 106 bilhões

“A tentativa de alguns de me colocar como vilão das contas públicas por retaliação ao governo não tem amparo na realidade dos fatos”, reclamou ontem Cunha, em sua conta no Twitter. “Sei bem os riscos que sinais equivocados podem causar na avaliação do grau de investimento do País e não compactuo com isso”, afirmou. “É preciso parar de especular e tratar as coisas com mais seriedade”, disse.

Cunha usou redes sociais para rebater críticas de que quer fragilizar governo DilmaAntonio Cruz/ABR

Segundo ele, “tentar esconder a real situação de fragilidade do governo sem base na Câmara me culpando pelas suas derrotas é querer não enfrentar o problema”. “A verdade nua e crua é que não existe base do governo". 

Cunha tem transferido para o colégio de líderes a responsabilidade pelas votações, como a que aprovou a emenda à Constituição que reajusta salários de advogados e defensores públicos e delegados, na semana passada.

“Presidente da Câmara não é o dono da Câmara e nem do voto dos deputados”, escreveu. Ele lembrou que projetos problemáticos para o governo, por implicarem em aumento de gastos, têm sido aprovados com votos de parlamentares do PT e outros partidos governistas.

“É preciso parar com essa fantasia de que sou responsável pelo resultado das votações, como se eu fosse capaz de convencer a todos. Sem reagrupar a sua base e constituir uma maioria sólida, o governo continuará com problemas e sofrendo derrotas. Agora, não cabe a mim constituir a maioria que o governo não tem para vencer votações no plenário da Câmara". 

O peemedebista também negou ter instalado novas CPIs para trazer problemas ao governo. A que mais preocupa o Planalto é a CPI do BNDES. “Se a vez eram dessas CPIs, o que me restava fazer a não ser cumprir a minha obrigação. Não fui eu que protocolei as CPIs. E mais: as CPIs são regimentais, funcionam cinco simultâneas e na ordem de protocolo”, observou.

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