Calor e estiagem elevam preços em feiras e sacolões

Com alta temperatura, produtos chegam a ficar até 25% mais caros para o consumidor

Por O Dia

Rio - O forte calor e a falta de chuva fizeram preços de legumes, verduras, frutas e hortaliças dispararem na cidade, apontou pesquisa semanal da Prefeitura do Rio em feiras e mercados. O brócolis desbancou o tomate, que sempre puxou a alta de valores, e se tornou o grande vilão com aumento de 25% neste início de ano.

Maria Marsília dos Santos%2C 76%2C diz estar com dificuldade de conciliar aluguel%2C alimentos e custos básicosFabio Gonçalves / Agência O Dia

O produto é seguido de couve-flor, com alta de 19,33%, banana prata, 17,7%, e espinafre, 14,29%. Agrião, alface, bertalha e couve comum, por exemplo, subiram, em média, 10,86%, no período. Entre os legumes, o destaque ficou por conta do chuchu, com elevação de 9,22%.

Presidente da Associação Comercial dos Produtores e Usuários da Ceasa, Grande Rio e São Gonçalo (Acegri), Waldir de Lemos alerta para uma provável alta no preço do tomate. “Por causa do calor e da falta de chuva os valores subiram, mas o tomate, que sempre foi o vilão dos aumentos, subiu menos que os demais produtos. Mas pode voltar a subir”, afirmou Lemos.

Segundo ele, por madurar mais rápido devido às altas temperaturas, o fruto não fica estocado, o que, conforme o dirigente, é motivo de preocupação: pode faltar em breve, levando à alta de preço.

A aposentada Jorgina da Silva, 75 anos, também fica indignada toda vez que vai às compras nas feiras e sacolões. “Não entendo o chuchu, que é só água, custar R$6, se eu comprava por menos de R$ 2 no ano passado”. Ela explica que está com dificuldades de abastecer a geladeira. “Eu que sou aposentada sinto na pele como é complicado fazer compras pagando tão caro e ganhando tão pouco”, disse. Segundo o levantamento da prefeitura, o chuchu subiu 9,22% nas feiras, e no mercado 20,60%.

A moradora do Bairro de Fátima, Maria Marsília dos Santos, 76 anos, também reclama do preço alto de outros produtos, como as frutas. “Quem vai comprar uva a R$ 15?”, questiona. Ela disse não consegue conciliar o pagamento do aluguel, com a compra de alimentos e outros custos básicos.

“Estou racionando tudo em casa, não tenho condições de dar o meu dinheiro em legumes e verduras tão caros, estou deixando de come esses produtos”, disse. Ela divide a casa com o marido e a filha e garante que sem a divisão das despesas seria impossível fazer compras.

Doações podem diminuir

A Central de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Ceasa-RJ) desenvolve há alguns anos o programa Banco de Alimentos. O objetivo é arrecadar, processar e distribuir alimentos que não estão em condições ideais de comercialização, mas que ainda são próprios para consumo, informou o presidente Associação Comercial dos Produtores e Usuários da Ceasa, Grande Rio e São Gonçalo (Acegri), Waldir de Lemos.

O projeto tem em torno de 80 instituições cadastradas, entre as quais as unidades de Polícia Pacificadora da Rocinha e do Turano. Entre recolhedores e manipuladores de alimentos e motoristas para fazer a distribuição, o programa reúne 25 pessoas.

No futuro, a ideia é receber doações também de hipermercados e grandes lojas de varejo e atacadistas. “Com a alta de preços, os comerciantes estão comprando menos para evitar desperdício, o que pode fazer com que as doações sejam comprometidas”, alerta Lemos.

Temperaturas elevadas provocam perdas na roça

No setor de hortifrútis, o impacto do clima seco e quente é bastante visível. O tomate, por exemplo, que segundo a pesquisa da Prefeitura do Rio apresentou alta de 11,78%, está com a maturação acelerada, o que reduz a sua vida útil e a qualidade. Já a batata, com queda de 12,75%, tem sido colhida com a casca mais escura, que costuma ser preterida pelo consumidor.

Já a alface, que subiu 10,86% de preço, tem sido afetada pela baixa umidade, fazendo com que as folhas endureçam e queimem com as altas temperaturas. Esse cenário tem provocado muitas perdas da verdura na roça, no transporte e no atacado.

Atacadistas chegam a relatar prejuízos de até 40% das cargas de alface, por exemplo. Em relação às frutas, a banana é a que mais sente os efeitos do calor porque amadurece rápido demais e acaba estragando.

Com sol forte e sem chuva, todas as mercadorias — folhosas, legumes e frutas — acabam apodrecendo e causando mais perdas aos agricultores.

Segundo o economista André Braz, da Fundação Getulio Vargas (FGV), o consumidor não deve se preocupar com o impacto destes aumentos na inflação. Segundo ele, esse movimento não vai impactar o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), pois o aumento agora provocado pela seca e o colar tende a se normalizar no período de chuvas.

Reportagem de Martha Imanes

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