Governo monitora rede social para controlar a dengue no país

Software detecta publicações referentes à doença no Twitter, o que acelera a identificação de casos

Por O Dia

Rio - Seu perfil no Twitter ajuda o governo a combater a dengue. Criado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e adotado pelo Ministério da Saúde, o ‘Observatório da Dengue’ monitora os posts do microblog e ‘filtra’ aqueles com referência à doença. A medida ajuda a identificar aumento de casos em determinado local, antes da notificação oficial, e acelerar ações de controle.

A técnica foi criada pela UFMG há cinco anos e adotada pelo Ministério da Saúde no ano passado. Mensagens de usuários de todas as cidades brasileiras com mais de 80 mil habitantes são monitoradas, e os dados, repassados à pasta.

Wagner Meira, professor de Ciência da Computação da UFMG e um dos coordenadores do programa, lembra que todos os dados analisados são públicos. Ou seja, ninguém tem o perfil ‘invadido’ para que o governo tenha o panorama da doença.

Mosquitos modificados em laboratório%2C incapazes de transmitir vírus%2C foram soltos na Ilha do Governador pela Fundação Oswaldo CruzFabio Gonçalves / Agência O Dia

O software recorre a palavras-chave para filtrar os tuítes que tenham relação com a dengue, diferenciando, inclusive, piadas de relatos pessoais ‘verdadeiros’. Segundo ele, há correlação entre o volume de tuítes sobre dengue e a incidência da doença. Há, ainda, cruzamento de dados para determinar a cidade em que está o usuário.

“Isso ocorre, principalmente, quando são considerados posts mais pessoais, com palavras como dor”, diz.
A notificação oficial de casos da doença pode levar até dois meses. Somente após esse período, os dados de infectados ficam mais claros e ações podem ser desenhadas. Com a rede social, diz Wagner, o processo é agilizado, já que as informações são coletadas e repassadas em tempo real.


Segundo o coordenador-geral do Programa Nacional de Controle da Dengue, Giovanini Coelho, o sistema gera relatórios com informações locais que podem ser acessados por municípios e estados, além do ministério. Isto permite, diz ele, a comparação do número de tuítes captados em uma semana com as semanas anteriores. E, ainda, com o histórico de ocorrência dos períodos de epidemia e de baixa transmissão em cada município.

“A ferramenta é sinal de alerta para a vigilância epidemiológica, mas confirmação de surto só é feita pelas vigilâncias epidemiológicas de estados e municípios”, aponta.
O Ministério da Saúde investiu R$ 760 mil no programa, que funciona apenas para o Twitter e não inclui Instagram e Facebook. “O resultado com outras redes não foi tão bom”, lembra Wagner.

Gripe também será analisada

Um dos benefícios do Observatório é lidar com uma doença que não é ‘estigmatizada’, segundo Wagner Meira, professor de Ciência da Computação da UFMG. Segundo ele, a proposta é o projeto ser ampliado para outras doenças, como a gripe e a Leishmaniose.

“Ninguém tem vergonha de falar que tem dengue, nem de citar os sintomas”, disse o especialista, acrescentando que as experiências feitas com o câncer e Aids não foram tão bem sucedidas.
Esta não é a única novidade no combate à dengue. No fim de setembro, 10 mil mosquitos Aedes aegypti modificados em laboratório com uma bactéria que impede a transmissão do vírus foram soltos na Ilha do Governador.

A ideia é que eles se reproduzam com os mosquitos do ambiente e gerem filhotes que não passem a doença. O novo método foi desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

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