Anistia quer evitar execução de condenados por tráfico de droga na Indonésia

As leis da Indonésia contra os crimes de droga estão entre as mais duras do mundo

Por O Dia

Indonésia - A Anistia Internacional pediu nesta sexta-feira ao governo da Indonésia o adiamento da execução da pena de morte de seis pessoas consideradas culpadas por tráfico de droga. Entres elas está o carioca de Ipanema, Marco Archer Cardoso Moreira que vai se tornar o primeiro brasileiro da história do país a ser executado por um governo estrangeiro. O cumprimento da sentença está previsto par este domingo.

Carioca de Ipanema será fuzilado na Indonésia por crime de tráfico de drogas

“As execuções devem ser suspensas imediatamente. A pena de morte é uma violação dos direitos humanos”, disse Rupert Abbott, diretor de Investigação da Anistia Internacional para o Sudeste Asiático e Pacífico, em comunicado.

Com pedido de clemência negado%2C instrutor será o primeiro brasileiro executado por tráfico internacionalDivulgação

Um dos presos é de nacionalidade indonésia e cinco são estrangeiros: um brasileiro, um holandês, dois nigerianos e um vietnamita.

Apesar de as autoridades indonésias não terem executado nenhum condenado em 2014, para este ano estão previstas 20 execuções de prisioneiros por fuzilamento. As leis da Indonésia contra os crimes de droga estão entre as mais duras do mundo.

Brasileiro condenado

Marco Archer Cardoso Moreira foi condenado à morte na Indonésia por tráfico internacional de drogas, ele ficará frente a frente com um pelotão de fuzilamento neste domingo. Desde 2004, quando recebeu a sentença, Marco, hoje com 53 anos, teve todos os pedidos de clemência feitos por sua defesa e pelo governo brasileiro negados.

Instrutor de voo livre no Rio, ele foi preso em 2003, ao entrar na Indonésia com 13,7 kg de cocaína escondidos em tubos de fibra da asa-delta. O porta-voz da Procuradoria Geral da Indonésia M. Prasetyo informou em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira, que os acusados souberam na última quarta-feira que vão morrer domingo. “Eles poderão se preparar mentalmente e depois poderemos ouvir seus últimos pedidos”, disse.

Marco já foi transferido para outra prisão, conhecida como corredor da morte, onde segue em isolamento. Como ‘último desejo’, pediu bacalhau a uma tia. A mulher viajou a Jacarta e, antes, fez escala em Lisboa para levar a iguaria. Ela também transporta cartas e lembranças de amigos. Moreira é solteiro, não tem filhos e seus pais já morreram. Na Indonésia, a execução é feita por fuzilamento. Doze soldados atiram com rifles no peito do condenado, porém apenas duas armas são carregadas: os carrascos não sabem quem fez o disparo fatal. Caso a pessoa sobreviva, é disparado tiro na cabeça.

O advogado de Archer, Utomo Karim, esteve com ele na cela de isolamento, na última quarta-feira, e disse que o brasileiro está em estado de choque, triste e com medo. Marco disse ainda que não quer morrer. O prisioneiro chegou a pensar que a execução seria na quarta e entrou em pânico, segundo Karim.

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