Putin afirma que Ocidente financia extremistas do Estado Islâmico

Declaração gera mal-estar em encontro do G-20. Presidente russo propôs coalizão antiterrorista internacional

Por O Dia

Turquia - Tema de última hora na reunião dos líderes do G-20, os atentados em Paris expuseram o abismo na geopolítica quando o assunto é a Síria e o que fazer com ela. E causaram certo mal-estar nas conversas nesta segunda-feira. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que há membros do G-20 entre os 40 países que financiam o Estado Islâmico. “O financiamento, como sabemos, provém de 40 países, entre eles vários do G-20”, disse em entrevista após a cúpula, realizada em Antalya, na Turquia.

Putin ressaltou que, após se recusarem a cooperar com a Rússia na luta contra o jihadismo na Síria, todas as nações, incluindo os Estados Unidos, estão se conscientizando de que o terrorismo só será combatido por todos. “Os trágicos eventos ocorridos em Paris confirmaram que temos razão.”

O presidente russo propôs coalizão antiterrorista internacional. Ele pediu que a legitimidade da operação aérea russa contra as posições do EI na Síria deixem de ser alvo de discussão. “Infelizmente, ninguém está a salvo de atentados”, frisou.

Putin e Obama nesta segunda%2C na reunião de cúpula do G-20%2C na Turquia%3A diferenças não foram superadas%2C mas reduzidasEfe

Seu colega americano, Barack Obama descartou ontem mudar a estratégia na luta contra o Estado Islâmico. Para ele, colocar tropas norte-americanas em solo para combater o grupo “seria um erro”. “Este não é um adversário militar tradicional”, ponderou Obama.

Estados Unidos e Rússia têm posições quase antagônicas: embora ambos já tenham se colocado contra o Estado Islâmico — que reivindicou a autoria dos ataques que mataram 129 pessoas na sexta-feira —, russos apoiam o ditador Bashar Al-Assad, inimigo declarado dos americanos. O governo Obama sustenta milícias que tentam derrubar Assad e ataca os extremistas; a Rússia as combate e tem sido tímida com o EI — postura que deve mudar agora.

No meio desse cabo de guerra está François Hollande, que ontem, ao discursar para sessão conjunta do Congresso — algo que não acontecia havia seis anos —, afirmou que “a França está em guerra”. O presidente disse que vai se sentar nos próximos dias com Obama e Putin para acertar os detalhes da coalizão. Hollande voltou a falar em estender por três meses o estado de emergência. “Nós erradicaremos o terrorismo, porque nós estamos comprometidos com a liberdade, com a influência da França no mundo”. 

Mais corrida, Paris tenta se reerguer

No primeiro dia útil após o atentado, cariocas relataram ao DIA as impressões sobre a retomada da rotina na Cidade-Luz. O fotógrafo Vitor Foguel, 26 anos, percebeu mudanças no comportamento da população. “As pessoas estão mais apressadas para tudo. Por ter traços similares aos de árabes, já tive a mochila revistada em uma loja. Sinto alguns olhares diferentes, mas é compreensível”, relatou. “A tragédia tornou as pessoas mais simpáticas. Todos entendem, por ter sido em locais de entretenimento, que poderia ser com qualquer um”, contou a jornalista Marlene Oliveira.

Nesta segunda-feira, ao meio-dia, foi observado um minuto de silêncio. À tarde, o Louvre reabriu, depois de executar o hino da França; de noite, a Torre Eiffel também foi reaberta e ganhou iluminação especial. A Disneylândia Paris volta a funcionar amanhã.

Identificado o ‘cabeça’ dos atentados

Investigadores acreditam ter identificado o mentor dos ataques de sexta: o belga Abdelhamid Abaaoud. O plano teria sido elaborado na Síria e detalhado na Bélgica. O atentado deixou ao menos 129 mortos.  O extremista era citado em diversos arquivos policiais junto a Ibrahim Abdeslam, que realizou o ataque suicida a bomba no café Comptoir Voltaire. O irmão Mohammed foi solto ontem, e Salah segue foragido.O EI divulgou vídeo em que ameaça os EUA. Hackers do Anonymous afirmaram vingar o ataque.


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