Um ano depois, nada mudou no viaduto da tragédia do ônibus da linha 328

Conselheiro do Crea-RJ diz que via de onde ônibus caiu e matou nove continua insegura

Por O Dia

Rio - Motorista, reduza a velocidade, não fale ao celular e mantenha firme o cinto de segurança, especialmente se trafega pelo Viaduto Brigadeiro Trompowski, na Avenida Brasil, no acesso à Ilha. Ali, na tarde de 2 de abril de 2013, após ser agredido por um passageiro, o condutor do ônibus da linha 328 (Castelo-Bananal) André Luiz da Silva perdeu a direção no trecho em curva. O coletivo rompeu o gradil de proteção como se atravessasse uma cerca de madeira e despencou de uma altura de dez metros. Nove pessoas morreram. Quase um ano após a tragédia, nada mudou no local e o viaduto permanece inseguro na avaliação do conselheiro do Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) Antonio Eulalio Araújo.

“Não mudou nada. A qualquer momento pode acontecer outro acidente como aquele”, disse Araújo, especialista em viadutos. Na última terça-feira, o engenheiro e a equipe do DIA visitaram o elevado. O asfalto tem diversos calombos e ondulações. No meio da pista, há pinos de ferro expostos. A calçada tem trechos esburacados, com o concreto amontoado para fora. O gradil, trocado em função do acidente, não resiste ao choque nem de um carro de passeio, segundo o engenheiro. “Essa grade é só um guarda-corpo e tem de resistir só a até 80 quilos por metro. Não creio que ela aguente à batida nem de um carro comum.”

Gradil do Viaduto Brigadeiro Trompowski foi consertado%2C mas%2C segundo o representante do Crea-RJ%2C não é adequado para uma pista em curvaBruno de Lima / Agência O Dia

Para Araújo, a segurança no Brigadeiro Trompowski e em viadutos desse tipo, com grande fluxo e em curva, deve ser garantida por guarda-rodas, uma mureta de concreto de 80 centímetros de altura já utilizada no Rio, como na Linha Amarela e no Elevado Paulo de Frontin. “Essa proteção, conhecida como New Jersey, aguenta impacto de até seis toneladas e é projetada de uma maneira que empurra o veículo de volta pra pista. Se ela estivesse aqui naquele dia, a tragédia teria sido evitada.”

A avaliação do conselheiro do Crea-RJ, no entanto, foi refutada pela prefeitura. A Secretaria Municipal de Obras (SMO) garantiu que o Viaduto Brigadeiro Trompowski está dentro dos padrões de segurança. Porém, informou que “está elaborando orçamento para recuperação geral do viaduto, incluindo implantação de barreiras de concreto ao longo das laterais”. O asfalto, de acordo com a secretaria, será recapeado.
Informada sobre o mau estado de conservação da calçada, a SMO afirmou que uma equipe técnica será encaminhada ao local. “Nós elaboramos ações preventivas considerando as necessidades e as urgências de cada estrutura vistoriada”, disse o secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto.

Antonio Eulalio visita o Viaduto Brigadeiro Trompowski e afirma que a segurança continua comprometidaBruno de Lima / Agência O Dia

Justiça: réus aguardam em liberdade

O motorista André Luiz e o universitário Rodrigo dos Santos Freire, que teria agredido o condutor no momento do acidente, aguardam a conclusão do julgamento em liberdade. Na primeira audiência , em 18 de novembro, sobreviventes relataram que o desastre foi resultado de uma briga entre André e Rodrigo. O motorista alegou que não se lembrava do que aconteceu e Rodrigo afirmou ter sido ofendido pelo condutor ao exigir que ele parasse em um ponto. Eles respondem por crime contra a segurança do transporte viário.

Gasômetro e Frontin na berlinda

Representantes do Crea apontam falhas na conservação em, pelo menos, dois outros viadutos da cidade: o do Gasômetro e o Paulo de Frontin. “Está cheio de arbustos nas juntas”, disse o vice-presidente do Crea-RJ, Manoel Lapa e Silva, explicando que isso é preocupante pois indica infiltrações no concreto. A Porto Novo, responsável pelo Gasômetro, afirmou que a estrutura passa regularmente por manutenção. A SMO disse que enviará técnicos.

Plantas nas fendas do Viaduto do Gasômetro indicam infiltrações%2C diz vice-presidente do Crea-RJ Fabio Gonçalves / Agência O Dia


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