Até 2020, 57% dos cariocas vão morar perto do transporte

Projeção mostra parte da população que terá estação de metrô, trem, BRT ou VLT a 1 km de casa

Por O Dia

Rio - Morar a 10 minutos a pé de um transporte de massa ainda pode parecer sonho para muitos cariocas. Mas, em 2020, pela primeira vez, mais da metade da população do Rio (57,3%) vai ter acesso a uma estação de trem, metrô, BRT ou VLT no raio de até um quilômetro de casa, levando em conta as obras de mobilidade já em curso na cidade. Hoje, apenas 47% têm essa mesma facilidade.

Confira o infográfico da evolução dos coletivos até 2020

Os cálculos são do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), que criou um índice para medir o número de pessoas ao alcance de transportes de média e alta capacidade. A projeção para 2020 considera a população que vive a 1 km das futuras estações dos BRTs Transolímpica e Transbrasil, da ampliação do Transoeste, do VLT e da Linha 4 do metrô, com base no Censo de 2010.

A Linha 4 do metrô que está em construção acrescentará seis estações à cidade%2C ampliando o número de pessoas atendidas pelo transporteBruno de Lima / Agência O Dia

“A taxa de 57% é suficiente? Não, a gente precisa continuar aumentando esse número para que a cidade esteja bem coberta com sistema de transportes. No entanto, primeiro é preciso qualificar os serviços existentes para que a rede seja conveniente, confortável e segura”, comenta Clarisse Linke, diretora executiva do ITDP Brasil.

Entre 2010 e 2015, a taxa de residentes no raio de 1 quilômetro de transporte de massa saltou de 37% (2,3 milhões de pessoas) para 47% (2,9 milhões). Foram responsáveis pelo crescimento os BRTs Transcarioca e Transoeste, inaugurados no intervalo. O avanço será de 20 pontos percentuais até 2020, com 3,6 milhões de beneficiados — equivalente a três vezes a população de São Gonçalo (segunda mais populosa do estado).

No quesito “morar perto de trem, BRT ou metrô”, o Rio despontou na frente de outras capitais do Sudeste avaliadas pelo Instituto. É o caso de São Paulo, onde apenas 25,3% da população mora perto de transportes de massa, e de Belo Horizonte (25%). Já quando a comparação é com superpotências, como Nova York (75%), a Cidade Maravilhosa ainda tem muito a progredir.

“A prioridade não é só expandir o sistema, mas desenvolver as regiões atendidas pelo transporte, proporcionando o adensamento da população ao longo dos trilhos e corredores. São Paulo tem 237 km de malha, enquanto o Rio tem 138 km, mas a população de São Paulo é menos compacta”, analisa Linke.

Para secretário, Rio pode alcançar NY

O secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani, acredita que, se o Rio mantiver o ritmo de investimentos verificado desde 2009, a cidade terá quase 80% dos habitantes com acesso a transportes de alta ou média capacidade perto de casa até 2025.

“Com isso, o Rio estará no mesmo nível de cidades referência, como Nova York”, aspira. Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, ainda não é possível falar quais são os projetos, porque estes vão depender dos gestores que estiverem à frente da prefeitura pelos próximos 10 anos.

“Os transportes de alta ou média capacidade geram confiabilidade no tempo de viagem. Deslocamentos que podiam levar 2h30 agora têm um tempo bem mais definido”, ressalta o presidente da ONG Embarq Brasil, Luis Antonio Lindau. O ITDP destaca que o acesso ao transporte pela população de baixa renda pode significar novas oportunidades de emprego.

Estações do Transolímpica que devem ser inauguradas em 2016 ajudarão a elevar o índice de mobilidadeDivulgação

Fora da capital, média é baixa

A Região Metropolitana do Rio apresenta um desempenho aquém da capital. Segundo o ITDP, apenas 26,3% da população que vive nas 21 cidades da região mora no raio de 1 quilômetro de transportes de alta ou média capacidade. A expectativa de crescimento para 2020 é tímida: o índice não deve passar de 31,5%.

A operadora de telemarketing Ana Paula Romano, 42, leva duas horas de ônibus de São Gonçalo até o Centro do Rio para ir trabalhar. “Se o governo cumprisse as promessas de fazer a Linha 3 do metrô ou uma estação de barcas, a qualidade de vida ia melhorar”, diz.

A taxa PNT (sigla para ‘People Near Transit’, em inglês, ou pessoas que moram próximas aos transportes) da Região Metropolitana é baixa porque o boom de empreendimentos de mobilidade está concentrado na capital, e as demais cidades não recebem investimentos. A avaliação é do engenheiro de Transportes da Uerj Alexandre Rojas.

“Os investimentos no Rio são muito decorrentes da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Eles não chegam aos municípios vizinhos e nem há expectativa de isso acontecer”, afirma.

Morador da Rocinha, o cabeleireiro Flavio Damião, 44, comemora por morar a 8 minutos de onde vai ser a estação São Conrado do Metrô. “Os ônibus vão ficar menos cheios e vou poder chegar rápido ao Centro”, prevê. Em nota, a Secretaria Estadual de Transportes informou que “no caso da Região Metropolitana, o Governo do Estado estuda a implantação da Linha 3 e de BRTs no eixo RJ 104, Niterói-Itaboraí e, na Baixada Fluminense”.

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