Por tamyres.matos

Rio - Uma das imagens mais fortes que se tem da Justiça no Brasil diz que ela se aplica apenas aos mais pobres. Pessoas com recursos sabem de cor o caminho das pedras para escapar da Lei e quase sempre têm êxito nesse vergonhoso esconde-esconde. Ao longo desta semana, a repórter Adriana Cruz trouxe no DIA detalhes de exemplo cristalino dessa ‘meia-justiça’ — e sobretudo como ela lesa gente inocente.

O empresário Luiz Felipe da Conceição Rodrigues ri das autoridades há quase 30 anos. Nesse jogo, ‘transfere’ a culpa para o primeiro incauto que aparece, mantendo sua fortuna e os meios para continuar fugindo. O caso desse estelionatário é um escárnio que a polícia não pode mais tolerar.

Os ‘incautos’ do megaesquema de Luiz Felipe são lavradores humildes. Assinaram um documento para arrendar um pedaço de terra e viraram empreendedores da noite para o dia. Na manobra, o estelionatário transferiu todos os problemas que o perseguiam — e os pobres camponeses passaram a responder a um sem-número de processos dos mais variados.

O que intriga é como a Justiça consegue chegar aos lavradores, mas não ao mentor dos golpes. Não faltaram tempo nem oportunidade: Luiz Felipe inclusive já ficou um período preso — mas, obviamente, moveu as peças certas do sistema para sair da cadeia para nunca mais voltar.

O caso de Luiz Felipe infelizmente é mais um a alimentar o estereótipo de gente poderosa no Brasil. Para ser um exemplo digno de enciclopédia, o empresário deveria ser também um político exercendo mandato. A engenhosidade para manipular pessoas e em benefício próprio, sem que as autoridades consigam fazer cumprir a Lei, é um crime que precisa ser punido com o máximo rigor. E deve servir também de parâmetro para sanear o cipoal burocrático do país. A máquina pesa excessivamente para a maioria da população, mas é cortada como se fosse água e explorada pelos golpistas.

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