Paulo Sardinha: Barreira antiprodutividade

Investir em pessoas é a única forma de superar a falta de mão de obra qualificada e alcançar, assim, o tão desejado aumento de produtividade

Por O Dia

Rio - O Brasil vive uma contradição. Temos um mercado de trabalho que vem aquecido pelos últimos dois anos e que não aponta para mudança neste cenário tão cedo (muito felizmente). Porém, a geração de empregos, positiva para economia e essencial para redução da desigualdade social, não resulta em ganho de produtividade para as empresas. E conseguir produzir melhor é uma questão vital para o crescimento econômico do país.

Somente em fevereiro, segundo números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o país registrou abertura de 260.823 vagas de trabalho, apontado como melhor resultado para o mês desde 2011. No caso específico do Rio, a projeção é extremamente animadora. A capital tem taxa de desemprego menor do que a média nacional (3,6% contra 4,8%), e a Secretaria de Estado de Trabalho e Renda prevê que setores como de serviços, construção civil, petróleo e gás, entre outros, gerem mais 1,380 milhão de empregos até 2020.

Entretanto, mesmo com números tão animadores e com a queda vertiginosa de desemprego, pesquisas como a do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas apontam que somente com alta média de 3% ao ano na produtividade do trabalho será possível a economia brasileira crescer na casa de 4% ao ano. Para piorar esse cenário, há estudos que colocam o país entre os últimos na América Latina neste quesito.

Entre as questões que explicam essa contradição, uma é comum a quase todos os setores da economia: a falta de mão de obra qualificada. Há áreas que sofrem com a qualidade dos profissionais presentes no mercado, casos onde gestores enfrentam uma realidade de pessoas com diplomas universitários, mas com dificuldades básicas como a de compreensão de um texto. Há também situações em que faltam profissionais, sejam eles bons ou ruins.

Mesmo sendo uma questão complexa de resolver, pois envolve investimentos em todos os níveis de nossa Educação, as empresas procuram alternativas, como poderão ser vistas no RH-RIO, em maio, investindo em qualificação, seja financiando a graduação ou pós-graduação de funcionários, concretizando parcerias com faculdades e criando suas universidades corporativas, além da realização periódica de cursos de atualização profissional.

Ações assim são resultado de um RH cada vez mais comprometido em buscar soluções que estimulem as organizações a criar iniciativas que invistam em qualificação, sempre voltadas para suprir as necessidades da empresa. Investir em pessoas é a única forma de superar a falta de mão de obra qualificada e alcançar, assim, o tão desejado aumento de produtividade.

Paulo Sardinha é presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos

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