Vander Guimarães: Rede Cegonha e a assistência materno-infantil

O Brasil traçou como Objetivos do Milênio para o ano 2015 uma diminuição nesses coeficientes de mortalidade

Por O Dia

Rio - A Rede Cegonha visa a implementar rede de cuidados para assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e à atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério (pós-parto). A iniciativa do Ministério da Saúde, lançada em 2011, também busca para as crianças o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e desenvolvimento saudáveis. Ao propor organizar uma Rede de Atenção à Saúde Materna e Infantil que garanta acesso, acolhimento e resolutividade, o impacto que se espera das ações é a redução da mortalidade e morbidade materna e infantil.

Através do pacto estabelecido no ano 2000 com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil traçou como Objetivos do Milênio para o ano 2015 uma diminuição nesses coeficientes de mortalidade, muito elevados à época e bastante distantes daqueles valores considerados aceitáveis pela OMS. Convivíamos então com quase 30 mortes de crianças no primeiro ano de vida para cada grupo de mil nascidas vivas. Já a mortalidade materna estava acima de 80 por 100 mil nascidos vivos, ou seja, em cada grupo de 100 mil mulheres que tinham filhos vivos, 80 morriam de complicações relacionadas à gestação, parto e puerpério, seja de forma direta ou indireta. A meta a ser alcançada era reduzir este número para 35/100 mil nascidos vivos.

No que tange à redução da mortalidade infantil, a meta foi atingida, e os dados mais recentes do Ministério da Saúde sinalizam para uma taxa de 16 mortes infantis por mil nascidos vivos.

Outra pesquisa mostra números ainda mais preocupantes no que diz respeito à assistência materna. Embora a cobertura de pré-natal já atinja 70% das nossas gestantes, mais da metade delas inicia o acompanhamento tardiamente, após a 12ª semana de gestação, e um quarto delas não recebe o número mínimo de consultas preconizado pela OMS (seis consultas).

A morbimortalidade nessa população está aumentada, e isto pode ser também justificado pelo fato de 52% dessas mulheres terem a cesariana como via de parto, enquanto o recomendado pela OMS seria uma porcentagem de até 15%. Também é grande o número de mulheres que desejariam o parto normal e não têm a expectativa concretizada.

Por fim, após o nascimento da criança, ela deverá ser acompanhada em visitas domiciliares e ambulatórios nos seus dois primeiros anos de vida, fase de maiores riscos, afim de garantir o melhor para o seu crescimento e desenvolvimento.

O que se pretende com a adoção destas boas práticas é ter mães e crianças saudáveis, com coeficientes de morbidade e mortalidade reduzidos, comparáveis aos de países onde a assistência às gestantes e aos filhos é considerada segura e eficaz.

Vander Guimarães é médico e professor da Faculdade de Medicina de Petrópolis

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