Planta é nova esperança de ajuda a dependente químico

Original da África, iboga é eficaz em 72% dos casos contra vício de cocaína e crack

Por O Dia

Rio - Uma planta africana promete revolucionar o tratamento de dependentes químicos. Pesquisa inédita da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra que a substância ibogaína, retirada do vegetal iboga, interrompe o vício em cocaína, álcool e até crack em 72% dos casos.

A raiz da planta atua no cérebro e interrompe a fissura pela droga. Segundo o especialista em Clínica Médica, Bruno Chaves, um dos idealizadores da pesquisa, a ibogaína reequilibra neurotransmissores como a dopamina. “Isso normaliza o estado de humor e interrompe a vontade pela substância química,” cita.

Além disso, a planta aumenta a quantidade do hormônio GDNF, que promove as conexões entre os neurônios e, assim, repara um dos principais danos das drogas.

O estudo, feito pelo Departamento de Psiquiatria da Unifesp, acompanhou 75 pacientes de 2005 a 2013. O medicamento, em forma de cápsula, também proporciona uma espécie de ‘revivência’ de diferentes momentos da vida do paciente durante as horas em que ele está sob efeito da ibogaína. Pelo menos 90% dos voluntários do estudo relataram a experiência. “É uma expansão da consciência, onde o paciente percebe melhor seu papel no mundo e as consequências da suas atitudes”.

O tratamento com a nova droga dura de um a dois dias, mas antes o paciente deve passar por exames físicos e psicológicos. A pessoa deve ficar internada durante o uso da cápsula. “O remédio é forte mas nunca tivemos qualquer reação grave,” garante o médico.

A maioria dos pacientes do estudo voltou a estudar e trabalhar. Apesar do resultado ser mais rápido se comparado a tratamentos convencionais, depois de tomar a medicação, os dependentes devem passar por auxílio psicoterapêutico, para se manterem ‘limpos’. “Se continuar com os mesmos hábitos pode voltar a se drogar, mesmo sem ter a fissura de antes,” explica.

Tratamento usado em vários países

A planta, encontrada na África Central, já é usada para tratar dependentes em países como Nova Zelândia, Canadá, México e Inglaterra. No Brasil, o fármaco é importado legalmente do Canadá, no nome do paciente e com receita médica. Não há restrições ao uso da planta, mas a medicação ainda não foi regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O tratamento só é oferecido no Instituto Hermelino Agnes de Leão, em Ourinhos (São Paulo). No prazo de cinco a dez anos, o remédio será oferecido de forma ampla no país.

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