Editorial: O teatro da CPMI da Petrobras

Se a intenção dos parlamentares era ganhar visibilidade, o tiro saiu pela culatra

Por O Dia

Rio - Enquanto não param de emergir denúncias de falcatruas e desvios milionários na maior empresa brasileira que deixam o país estarrecido, eis que o Congresso Nacional dá mais um péssimo exemplo de desserviço à nação, ao apresentar, na semana passada, frustrante relatório final das ‘investigações’ da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito aberta para apurar as irregularidades na Petrobras.

Se a intenção dos parlamentares era ganhar visibilidade, teatralizando um dos mais sérios casos de corrupção na história do país, o tiro saiu pela culatra. E a CPMI deixou mais uma vez chamuscada a imagem da Casa.

O relatório limitou-se a reverberar o que já se sabe sobre as investigações conduzidas pela Polícia Federal. Não avançou um milímetro sequer sobre o escândalo e nenhum dos envolvidos nas denúncias de corrupção na estatal teve recomendado o indiciamento. A expectativa era de que ao menos os nomes de políticos de PMDB, PT e PP — que seriam mais de 60 —, citados pelos delatores do esquema, Alberto Yousseff e Paulo Roberto Costa, como beneficiários de propinas, fossem indicados pela comissão. Nem isso.

Ou seja, na queda de braços entre governo e oposição, que marcou as reuniões e não raro propiciou momentos de baixaria no plenário com troca de acusações entre parlamentares, venceu mais uma vez o corporativismo. Agora o que se espera é que instituições como o Judiciário e a Polícia Federal prossigam na devassa aos malfeitos da companhia, identifiquem todos os culpados e os trancafiem. O país já não suporta mais essa novela que termina sempre com os corruptos se safando. E o povo....

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