Editorial: Encarcerar sem educar não adianta

Enquanto perdurarem os depósitos de meninos e meninas entregues ao ócio, à violência e aos maus-tratos, fica difícil acreditar que reduzir a maioridade penal possa trazer algum benefício à sociedade

Por O Dia

Rio - O recrudescimento das campanhas pela redução da maioridade penal e a divulgação de pesquisa que indica o aumento do número de encarcerados no Brasil são uma combinação que nos obriga a uma reflexão: encarcerar para quê, se os que cumprem penas ou medidas socioeducativas praticamente não recebem nenhuma oportunidade de sair melhor?

No caso específico dos adolescentes infratores, o período de internação forçada poderia ser usado para recuperar as perdas em relação à escola. Além disso, deveria haver atendimento psicológico adequado e incentivo ao desenvolvimento de habilidades para as artes e para o esporte e, principalmente, aprendizado de noções básicas de cidadania e direitos humanos, já que muitos vêm de meios onde esses conceitos estão longe da realidade.

Não é uma tarefa difícil, se houver realmente vontade de ver esses jovens voltarem à sociedade como cidadãos, e não mais violentos do que entraram. Basta transformar as unidades de internação em escolas de tempo integral de verdade, incluindo cursos profissionalizantes e atividades de artes e lazer, como são oferecidas a milhares de crianças e adolescentes de classe média.

Enquanto perdurarem os depósitos de meninos e meninas entregues ao ócio, à violência e aos maus-tratos, fica difícil acreditar que reduzir a maioridade penal possa trazer algum benefício à sociedade. É mais provável que, no futuro, sirva apenas para aumentar o número de encarcerados.

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