Jaguar: Quatro quilos de humor

Ganhei um presentão: o catálogo da Primeira Bienal Internacional da Caricatura — Brasil

Por O Dia

Rio - Ganhei um presentão (quatro quilos): o catálogo da Primeira Bienal Internacional da Caricatura — Brasil, coordenação do historiador e caricaturista Luciano Mauro. O catálogo-livro mostra que temos coisas bem melhores que mensalões, petrolões e fifões. Na ilustração, dois trabalhos fora de série: a caricatura de Ferreira Gullar por Cavalcante e o cartum de Claudius (a Torre Eiffel dançando cancã).

Tenho um amigo que foi parar no Leste Europeu, num país chamado Belarus. Quando disse que era brasileiro, ouviu uma pergunta desconcertante: “Em que país fica o Brasil?” Mas lá conhecem, como o resto do mundo, Neymar. O que não sabem — nem o resto do mundo nem você — é que o desenho de humor brasileiro não fica absolutamente nada a dever a de qualquer outro país, em qualquer época. O catálogo, complementando a monumental ‘História da Caricatura no Brasil’, de Pedro Corrêa do Lago, é a prova definitiva disso. Para não ficar só nos elogios, Alvarus, que publicou um livro sobre o tema, foi omitido. Eu, então um moleque de 20 anos, passava as tardes garimpando na sua coleção. Carioca-parisiense, comprou preciosidades como esculturas e gravuras de Doré e Daumier, além do nosso J. Carlos, não menos genial.

Mas era um homem do século 19, tinha um caprichadíssimo bigode retorcido, um Dalí conservador. Ficava indignado com a palavra cartum; para ele, Kartum era a capital do Sudão, que sumiu do mapa. E, na sua opinião, “esse tal de Steinberg desenhava tão mal quanto Picasso”. Foi um desastre cultural a dispersão de seu acervo, liquidado a varejo depois que morreu. Sua mansão no Jardim Botânico deveria ter sido tombada e transformada no Museu de Caricatura. Outra lacuna: Nássara, o Miró da caricatura, e Millôr, o maior de todos, estão ausentes. Anote aí, o lançamento do catálogo vai ser quinta-feira, às 18h, no Museu Nacional de Belas Artes.

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Voltando ao Neymar: antes de opinar sobre sua pífia atuação na derrota para a Colômbia, li os comentários da crônica esportiva. Falou-se muito da ‘Neymardependência’; de fato, a Seleção é Neymar e os demais, ou melhor, de menos. O que ele passa para a torcida é sua alegria de driblar. Mas como entrar em campo alegre quando, por trapalhadas do Neymar Sênior, é réu na Espanha? A acusação é grave: corrupção privada e estelionato. Se condenado, pode pegar até oito anos de cadeia. Não há alegria que resista a uma porrada dessas.

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