Fernando Scarpa: A impeachment dado não se olham os dentes

Quanto custa o Brasil no câmbio negro, negociado entre os partidos com os bilhões desviados, nesse mercadão que se transformou Brasília?

Por O Dia

Rio - Este ano, o presente de Natal do povo brasileiro é a abertura do processo de impeachment. Inferno para alguns, alegria para outros, vantagem para terceiros, presente é sempre complicado de agradar, e faz parte deste período do ano lidar com frustrações. Só que desta vez não tem jeito, não pode ser trocado e terá que ser usado.

No meio desse tiroteio, as tentativas de fazer confusão na crise e perder o foco são uma tentação. Alguns querem e afirmam com todas as letras que a presidenta foi eleita e que seu mandato é legítimo; porém, não é essa a questão. O impeachment é previsto pela na Constituição e tanto pode ser aberto que foi — a negociação é que vai ocorrer na hora da votação! Essa sim, a boa hora. Dia de a onça beber água, com cada voto valendo dinheiro, do mesmo modo que se compra voto de eleitor em período de eleição.

A demanda de impedimento recai mesmo sobre as pedaladas no orçamento, embora se argumente que outros presidentes já as fizeram e não foram punidos. Vejamos? O processo precisa de fundamentos materiais para ir a termo junto às razões subjetivas de comprovação complicada. A nação não suporta mais conviver com o clima e a situação vigente.

Acusada de mentirosa, Dilma rebate e acusa Cunha de mentiroso, como dois Pinóquios se enfrentando. Ela, para se eleger, “enganou” a todos com preços da gasolina e da energia elétrica congelados e a inflação maquiada. Prometeu que a CPMF não voltaria e, com a maior cara de pau, diz que sem ela o orçamento não fecha. Afinal: Como Pegar Milhões Fácil? Com a CPMF!

Pedalando, mentindo e seguindo a canção, ao que tudo indica, não deu certo. Neste momento do país a desconfiança é geral. Quanto custa o Brasil no câmbio negro, negociado entre os partidos com os bilhões desviados, nesse mercadão de Madureira que se transformou Brasília? Fica a pergunta.

Assistimos a um tremendo bate-boca colorido entre a Câmara e o Senado. O vermelho se contrasta ao verde e amarelo; o desequilíbrio das cores denuncia por fora o que se passa no interior. Com ou sem impeachment, não tem jeito: acabaremos o ano sem bicicleta pedalando rumo a 2016 e com as contas no vermelho nessa enorme corrida de São Silvestre que se transformou o orçamento público da maior pedalada dos últimos tempos.

Fernando Scarpa é psicanalista

Últimas de _legado_Opinião