Por felipe.martins

Rio - A realidade da crise econômica, grave, leva ao natural consenso de que a melhoria passa por integração maior com os mercados, aumentando o movimento do comércio, atraindo investimentos e garantindo as obrigações assumidas. Tudo leva a exigir produtividade e competitividade, agilidade na tramitação de documentos e simplificação fiscal, que tem sido entraves ao nosso desenvolvimento.

Não podemos seguir o exemplo grego, que tentou enganar a União Europeia e acabou por diminuir suas possibilidades de volta natural aos mercados. Temos de simplificar procedimentos, acolher o investidor que aporta tecnologia e vem produzir aqui.

Basta olhar para vizinhos que estão se dando bem, como o Peru e a Colômbia, para perceber qual direção seguir. A integração pelos países do Pacífico é altamente positiva, e o Brasil poderia dar uma demonstração concreta de vontade de se integrar, apressando os projetos rodoviários de acesso aos portos peruanos e chilenos.

Não podemos é manter, neste ano que se inicia, a posição de devedores de nossas contribuições aos organismos internacionais a que pertencemos, como CPLP, ONU, OEA, Unesco e OIT. Uma posição constrangedora para nossa diplomacia.

A nova realidade argentina pode nos ajudar muito nesta integração — desde que reabram o diálogo com a comunidade financeira internacional, é claro. No Uruguai também encontramos hoje orientação realista e de bom senso. E o Paraguai é a economia da região que mais cresce. Os ventos bolivarianos estão passando em toda a região, e o mesmo deve ocorrer com o Brasil. Ao que parece, a presidente já esfriou seu entusiasmo com esse grupo que gera mais problemas do que soluções, apesar do desgaste com a salda de Joaquim Levy, de muita credibilidade.

O Itamaraty precisa voltar a ter voz nos assuntos internacionais. Não deu certo a sua substituição por uma assessoria de cunho ideológico e que contraria tradição de equilíbrio e prestígio que vem desde os tempos dos grandes nomes da casa, como Rio Branco e Afrânio de Melo Franco. E, na área comercial, as lideranças empresariais que estão no front do comércio internacional precisam atuar com mais vigor. Novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa tem a agir rápido na direção certa.

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