Desavisados, alunos e professores do Senac dão 'de cara na porta'

Motivo da paralisação é partida entre Espanha e Taiti, às 16h, no Maracanã

Por O Dia

Rio - Um grupo de professores e alunos foi surpreendido ao não conseguir entrar na unidade Marechal Floriano do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) na manhã desta quinta-feira. O segurança do local avisava que não haveria funcionamento devido a um ponto facultativo decretado pela Prefeitura.

O problema é que ninguém havia sido avisado. Durante pontos facultativos, as organizações (públicas ou privadas) tem a possibilidade de decidir sobre o seu funcionamento. O motivo da paralisação é a segunda partida da Copa das Confederações, a ser realizada no Maracanã nesta tarde. O jogo, que não envolve a Seleção Brasileira, será entre Espanha e Taiti, às 16h.

A partir do meio-dia, o entorno do Maracanã será totalmente interditado, no entanto, a referida unidade se localiza a mais de 6 km do estádio.

O Senac, no entanto, nega a falta de avisos e enviou uma nota sobre a suspensão das atividades:

O Senac RJ esclarece que determinou a suspensão das aulas na unidade Marechal Floriano e em todas as unidades do município do Rio de Janeiro nesta quinta-feira, dia 20/06, em virtude da Copa das Confederações. Essa determinação foi informada com a devida antecedência a todos os alunos pelos instrutores, assim como em cartazes por toda a unidade. Apenas um pequeno grupo de seis pessoas (cinco alunos e um instrutor) compareceu hoje à unidade, que estava aberta, sem saber que não haveria aulas. Esse pequeno grupo representa menos de 1% do total de 600 alunos que comparecem diariamente ao local. O fato de nenhuma forma prejudicará a carga horária do curso, já que essas horas serão devidamente compensadas.

Gol contra

Apesar de ser um evento esportivo, a Copa das Confederações coloca em jogo o calendário letivo do Rio.

Em norma deliberativa, o Conselho de Educação do Estado determinou o recesso escolar das unidades da rede estadual na capital, nos dias de abertura e encerramento do evento.

Autorizou ainda a suspensão das aulas quando houver partidas da seleção brasileira, mesmo em outros estados. Colégios particulares também aderiram à norma, e podem suspender as aulas nos dias 19 e 20. A medida irritou pais, alunos e educadores.

A medida ainda pega todos de surpresa no final de semestre, um período geralmente de provas. “Não tem motivo para cancelar aula. Não vai atrapalhar em nada”, disse o estudante Alessandro Henrique, 17, da Escola Estadual Mendes de Moraesa, na Ilha do Governador.

Pais de alunos da rede municipal também reclamaram da decretação de feriado pelo prefeito. “Trabalho o dia todo, não tenho com quem deixar meus filhos. Vou levá-los para o trabalho? É um absurdo”, criticou a manicure Cátia Maria Geralda, 40, cuja filha Maria Luísa estuda na Escola Municipal Aberto Barth.

Especialista em Educação e professora da Uerj e da Unesa, Alzira Batalha considerou a medida desrespeitosa: “O discurso de valorização da educação não se sustenta quando a gente se depara com essas atitudes. Não há respeito ao planejamento”, diz.

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