Jorge Dória morre aos 92 anos

Ator faleceu após complicações cardiorrespiratórias e renais. Ele estava internado no Hospital Barra D'Or desde o mês de setembro

Por O Dia

Rio - Jorge Dória morreu nesta quarta-feira, aos 92 anos, após complicações cardiorrespiratórias e renais. O ator estava internado desde o dia 27 de setembro no Centro de Terapia Intensiva do
Hospital Barra D'Or, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Segundo informações da assessoria de imprensa da casa de saúde, ele faleceu às 15h05. De acordo com a viúva do ator, Isabel Cristina Gasparin, o velório está marcado para às 19h, desta quarta-feira, no Memorial do Carmo, no Caju, no Centro do Rio. O corpo do ator será cremado nesta quinta, às 16h. 

O ator deixa um filho, Rodrigo, fruto da união com a atriz Leda Valle. Dória também foi casado com a vedete Irís Bruzzi.

Jorge Dória estava internado desde setembroDivulgação


Jorge Dória deu entrada no hospital na noite do dia 27 de setembro, com quadro de pneumonia. Na noite desta segunda-feira os médicos precisaram aumentar a dosagem de medicação para tentar abaixar a pressão cardíaca do ator, que estava muito alta.

Dória estava afastado da TV e dos palcos devido a problemas de saúde, após sofrer um acidente
vascular cerebral. Seu último trabalho na TV foi no programa "Zorra Total". O diretor do programa, Maurício Sherman, lamentou a morte do ator e contou que neste sábado fará uma homenagem dentro do humorístico ao amigo e colega de trabalho. Na edição especial será exibido o quadro em que Dória (Maurição ) atuava ao lado de Lúcio Mauro Filho (Alfredinho) e que fez grande sucesso. 

Jorge Dória abre as portas de sua casaIvone Perez / Agência O Dia


Trajetória

Jorge Pires Ferreira, que viria a ser conhecido apenas como Jorge Dória, nasceu em 12 de dezembro de 1920, no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Por ser filho de militar, teve uma educação rígida e foi designado a seguir a tradição familiar e se tornar um funcionário público. Porém, após a morte de seu pai, Jorge resolveu seguir a vocação para as artes. Ele então passa a assinar Jorge Dória, homenageando o amigo Leoni Dória Machado, com quem escreveu a peça "As Pernas da Herdeira" (1951). Este espetáculo marcou sua estreia no teatro dirigido por Esther Leão.

Em 1962, o ator ganhou o Prêmio Saci na categoria ator coadjuvante pelo "O Assalto ao Trem
Pagador". No longa de Roberto Farias, Dória contracena com Eliezer Gomes, Luíza Maranhão e Helena Ignez. Dois anos depois, "Asfalto Selvagem, de J.B.Tanko, com Jece Valadão, Vera Vianna e Nestor Montemar. A produção de Nelson Rodrigues, que tratava do incesto entre irmãos fez com que o filme fosse proibido pelo golpe militar. 

Jorge Dória como o Conselheiro Vanoli de “Que Rei Sou Eu%3F” (1989)Divulgação


Sua estreia no cinema foi em 1947 no longa "Mãe" de Teófilo Barros. Ao longo da carreira ele fez mais de 80 participações em filmes, seriados e novelas, mas foi na comédia que ganhou destaque. Entre os personagens marcantes está George, o homossexual primeira montagem de “A Gaiola das Loucas”. Na televisão ele estreou em 1970 na extinta TV Tupi. Em 1973 estrelou a primeira versão de "A Grande Família", na TV Globo, na ocasião ele viveu o funcionário público certinho, Lineu, que na atual versão é interpretado por Marco Nanini.

Dória conquistou a crítica e o público com o Conselheiro Vanoli de “Que Rei Sou Eu?” (1989),
personagem que lhe rendeu prêmio de melhor ator pela Associação Paulista de Críticos de Arte
(APCA). O ator ganhou destaque também em "Champagne" (1983), novela de Cassiano Gabus Mendes, em que interpretou Zé Brandão, um dos suspeitos de assassinar a copeira Zaíde (Suzane Carvalho). Dória atuou ainda em "Meu Bem, Meu Mal" (1990), "Zazá" (1997), "Era uma Vez" (1998) e "Suave Veneno" (1999). 


Ainda na TV ele participou de "Sai de Baixo", como Alfredão, no episódio "Luneta Indiscreta"; e do
seriado "Os Normais", com a dupla Fernanda Torres e Luis Fernando Guimarães, no episódio "Fazer as Pazes é Normal".

Nos anos 2000 ele foi convidado a fazer parte do humorístico "Zorra Total" em que estrelou um pai machão que vivia às voltas com o filho o filho homossexual. Na época, o quadro obteve tanto
sucesso que fez o bordão “onde foi que eu errei?” cair na boca do povo. “O comediante, para
conseguir o riso da plateia, precisa achar o ritmo de falar diretamente com ela. Tenho muito
prazer em fazer humor”, revelou o ator em 2002 em uma entrevista.

Em 2001, fez parte da oitava temporada da novelinha teen "Malhação", no papel de Carmelo.

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