Viaturas policiais estão largadas em ‘cemitério’

Em galpão da Polícia Civil em Campo Grande, carros, vans e ônibus apodrecem empilhados há anos, servindo de criadouro para mosquitos, ratos e até cobras

Por O Dia

Rio - No dicionário, a palavra desperdício traduz o ato de gastar sem proveito ou em excesso. Para moradores de Campo Grande, o termo poderia batizar o galpão da Polícia Civil na Rua Cesário de Melo, ao lado da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam). Ao relento, centenas de antigos carros da corporação, muitos já depenados, ‘apodrecem’ há anos sem qualquer serventia. E o pior: empilhados, ainda abrigam mosquitos ratos e até mesmo cobras.

Na edição desta terça, o DIA denunciou que de 32 veículos da frota da Polícia Civil analisados, de cinco delegacias, nenhum tinha licenciamento em dia, o que quer dizer que não passaram por vistorias e, portanto, rodavam irregularmente. Após a denúncia, a Polícia Civil informou que fará um levantamento dos veículos com a vistoria em atraso para regularizar a situação.

“O galpão mostra que eles não têm cuidado com o carro que está em uso e nem com os que vão sendo aposentados”, reclama o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Fernando Bandeira.

Dezenas de viaturas em terreno na Rua Cesário de Melo%2C em Campo Grande%3A há pilhas de até três carros. Polícia diz que vai tomar providênciasJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Seja pela Cesário de Melo, ou pelas ruas Erechin, Saquarema ou Tairaju, é possível observar, por cima dos altos muros, restos de ferro que um dia já fizeram parte do orçamento público. E como um problema sem solução, segundo Bandeira, os veículos ‘descansam’ em uma espécie de cemitério.

“É um desrespeito com o dinheiro público. Se esses carros tivessem tido manutenção adequada, ainda estariam sendo úteis em locais de pouco movimento, como nas delegacias de interior. Afinal, temos vários carros de 1995 rodando na rua até hoje”, comenta Bandeira.

DOENÇAS

Os veículos acabam servindo como procriadores de mosquitos, ratos e cobras, que costumam sair pelos buracos dos muros do depósito e entrar nas casas dos vizinhos. “Aqui em casa já tive dengue duas vezes, sendo uma hemorrágica, nos últimos dois anos. Meu marido e minha filha também. Só nos resta viver com janelas e portas fechadas, mesmo no calor”, reclama a professora Ângela Marina Costa, 54.

Segundo moradores, apenas uma vez veículos foram retirados do terreno. Porém, semanas depois, novos ‘inquilinos’ chegaram ao local.

Veículos serão aproveitados

Segundo a Polícia Civil, as 420 viaturas que serão incorporadas à frota até janeiro, como anunciado na reportagem desta terça, serão equipadas com GPS. Elas substituirão antigos veículos, que, em boas condições, serão realocados para outras delegacias, como as do interior do estado.

Já os carros de Campo Grande, segundo a corporação, somente após processo no Detran — que leva 60 dias em média — poderão ser leiloados ou inutilizados.

ABANDONADOS TAMBÉM EM VIA PÚBLICA

A mais de 50 quilômetros de Campo Grande, na Praça da Bandeira, o abandono é a céu aberto. Na Rua Santa Filomena, quase esquina com a Barão de Iguatemi, na Praça da Bandeira, quatro veículos que também são da frota de 2000, com diversas avarias e pneus furados, apodrecem na rua.

Os Gol e Blazer foram parados na rua próxima à 18ª DP (Praça da Bandeira). Mas assim como os da Zona Oeste, nunca foram vistoriados. De acordo com policiais, os casos de abandonos em proximidades de DPs é mais do que comum. Em São Gonçalo, Niterói e na Baixada várias viaturas estragadas são deixadas em frente a suas antigas sedes.

Muitos carros que não funcionam Civil são deixados em plena ruaAlexandre Vieira / Agência O Dia

Em Campo Grande, entre as pilhas de ferro, é possível observar carros da recente frota como Gol e Blazer, utilizados em 2000, e modelos mais antigos das décadas de 90, 80 e até mesmo 70, como Santanas, Voyages e Fuscas.

Em centenas de casos, somente as carcaças das viaturas estão visíveis. A concentração é tão grande, que parte dos muros das ruas Saquarema e Erechin já ameaçam desabar, segundo os moradores do local.

Em meio a ferros retorcidos, é possível encontrar carros que ainda estão com placas. No caso dos três modelos Blazer, os veículos sequer foram submetidos a uma vistoria desde o ano de fabricação.

Pelo site do Detran é possível observar que todos são de 2000 com documentos do mesmo ano.