Chefe da Polícia Civil afasta delegado da 12ª DP por incapacidade de gestão

Delegada Martha Rocha afirma que atendimento ao público na virada do ano e no dia 1º foi inaceitável

Por O Dia

Rio - A Chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, exonerou do cargo de titular da 12ª DP (Copacabana), o delegado José William de Medeiros, após denúncias do DIA desta quarta-feira, que mostrava pessoas desesperadas procurando seus documentos roubados espalhados no chão da delegacia. Na ocasião, uma vítima arrumou caixas de papelão e organizou os documentos das outras pessoas.

"Para a chefe de Polícia, o delegado não teve capacidade de gestão e gerenciamento, já que todos os recursos solicitados por ele foram atendidos, e ainda assim o atendimento ao público na virada do ano e no dia 1º de janeiro foi inaceitável", diz comunicado.

A delegada Izabela Santoni, que atuava como adjunta na Delegacia Fazendária (Delfaz), foi escolhida pessoalmente pela delegada Martha Rocha para ser a nova titular.

Em janeiro do ano passado, na Delfaz, Izabela indiciou o médico Adão Orlando Crespo Gonçalves por falsidade ideológica e estelionato contra a administração pública. Adão faltou ao plantão no Hospital Salgado Filho, no Natal de 2012, quando a menina Adrielly dos Santos Vieira, de 10 anos, foi baleada e morreu por falta de atendimento.

O delegado José William ficará à disposição da Coordenadoria das Delegacias de Acervo Cartorário (CDEAC) para nova lotação. O Sindicato dos Delegados de Polícia do Rio de Janeiro (Sindepol) manifestou apoio ao delegado através de nota.

"Evidente era a necessidade de um planejamento especial por parte da alta Adminitração da Polícia Civil, o qual não ocorreu, permanecendo a Delegacia de Copacabana responsável pela Central de Flagrantes de toda aquela região, por onde transitavam cerca de três milhões de pessoas", diz o texto.

Cariocas e turistas reclamam de mau atendimento

O primeiro dia do ano foi de transtorno e aborrecimento para quem passou o Réveillon na Praia de Copacabana. Dezenas de pessoas que tiveram seus pertences furtados enfrentaram delegacia lotada para registrar os casos e encontraram centenas de documentos e carteiras espalhados pela 12ª DP (Copacabana). Pela manhã, o que se via no saguão da unidade era fila para atendimento e várias pessoas sentadas no chão, procurando seus pertences entre uma pilha de identidades, cartões bancários e carteiras encontradas.


Revoltados com a desorganização do atendimento, muitos cariocas e turistas reclamaram. “Estava tudo no chão, a gente tinha que se virar, agachar e procurar as nossas coisas. Eu que arrumei as caixas de mercado para poder organizar os documentos, as carteiras. Qualquer pessoa pega algo aqui, fala que é seu e vai embora, sem registrar”, criticou o paulistano Isaque de Souza Gonçalvez, que teve a câmera, carteira e dinheiro retirados de seu bolso em frente ao palco principal da orla.

“Fizemos o registro e simplesmente pediram para ir a outra delegacia. Levaram nosso dinheiro, cartão. Nem dinheiro para voltar a gente tinha. Não somos daqui e precisamos ir embora. Foi o primeiro e último Réveillon aqui. Estou decepcionada demais”, desabafou a mineira e operadora de telemarketing Luciana Fidélis.

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